08 de julho de 2026
Geral

Governo planeja exploração de aqüífero

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Rodrigo Agostinho diz que o Governo Federal e Banco Mundial planejam explorar comercialmente a utilização do Aqüífero GuaraniOs municípios de Bauru e região poderão ter que pagar pela captação feita no aqüífero Guarani, manancial subterrâneo responsável pelo abastecimento de 55% da população bauruense. A informação é do ambientalista Rodrigo Agostinho, colaborador do Instituto Vidágua e vereador eleito pelo PMDB. Segundo ele, o governo federal e o Banco Mundial já estão estudando a exploração comercial do aqüífero, que ocupa 840 mil quilômetros quadrados do solo brasileiro, dos quais 155.800 quilômetros quadrados no Estado de São Paulo.O manancial cobre toda a área do Município e sua profundidade oscila entre trezentos e seiscentos metros. O instrumento legal que será utilizado para viabilizar a exploração do aquífero deverá ser uma concorrência pública de caráter internacional. O assunto foi um dos temas da conferência Água: Valor Econômico e Desenvolvimento Sustentável, realizada ontem, no Parlamento Latinoamericano, em São Paulo. Agostinho acompanhou o evento que poderá apontar o destino comercial do maior manancial de água subterrânea da América.O ambientalista é radicalmente contra a exploração comercial do aqüífero. É um absurdo o que estão querendo fazer. A água é um bem de interesse público. Essa discussão da exploração comercial do aquífero está sendo alimentada pelo governo federal, Banco Mundial e consultores internacionais interessados na comercialização da água, diz. Para ele, o assunto não está sendo discutido pela sociedade como deveria. No próximo dia 11, Agostinho participa de reunião do Conselho Estadual de Recursos Hídricos. Na pauta da discussão, o aqüífero Guarani.FuturoUma das preocupações do ambientalista com esse manancial é a captação irracional de suas águas. Recentemente, um estudo encomendado pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) à Waterloo Brasil Consultoria Ambiental indicou que é preciso utilizar mais racionalmente o aqüífero Guarani. Ele defende a necessidade de preservar o manancial para o futuro, utilizando, neste momento, os recursos disponíveis na superfície (rios, lagoas, córregos, etc.). Temos que criar uma área de proteção próxima a superfície para garantir a preservação do aquífero.Agostinho também exige por parte do Poder Público uma política mais definida e uma maior vigilância no trato com os lençóis de água superficiais. Ele conta que Ribeirão Preto está enfrentando problema sério com seus mananciais de água. Os lençóis superficiais estão contaminados pelas destilarias de álcool, alerta.O geólogo Nariaqui Cavaguti defende a preservação do aqüífero e sua exploração de maneira controlada. Não se pode mais firar poços de maneira descontrolada. Isso poderá provocar problemas localmente e regionalmente, como o rebaixamento do lençol, alerta. Segundo ele, é preciso haver uma fiscalização rigorosa para evitar a contaminação do manancial por metais pesados e químicos.