09 de julho de 2026
Geral

Exame alternativo beneficia aidético

Redação
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Técnica do HC da Unesp/Botucatu permite determinar com precisão o momento de introduzir o coquetel antiaidsBotucatu - Especialistas do Hospital das Clínicas da Unesp (Universidade Estadual Paulista), câmpus de Botucatu, estão utilizando, desde 1986, um exame alternativo de controle da evolução do vírus da aids que permite aumentar o tempo de vida dos pacientes aidéticos. Trata-se do exame de citocinas séricas que indica com precisão o momento de introduzir o coquetel antiaids na terapia do paciente e assim obter uma melhor resposta ao tratamento. O teste de citocinas também permite avaliar a resposta imunológica do paciente, ao contrário da carga viral e do CD4 que são empregados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e apenas dão informações sobre a dimensão da infecção, afirma o infectologista Domingos Alves Meira, professor doutor do Departamento de Doenças Tropicais, da Faculdade de Medicina, que é precursor deste modelo de atendimento no Brasil.O exame de citocinas séricas também apresenta outras vantagens em relação ao de carga viral e CD4. A começar pelo custo. Um teste de carga viral custa entre US$ 150,00 e US$ 250,00, enquanto que o de citocinas sai por apenas US$ 16,00. Isso nos permite aplicar o teste de forma rotineira, ao contrário do que ocorre com o da carga viral, afirma Meira. No Hospital das Clínicas da Unesp, por exemplo, o exame de citocinas é usado como rotina nos 600 pacientes atendidos pelo ambulatório. Já o teste de carga viral, por ter um custo elevado, é aplicado em pequena escala, uma vez que sua realização depende do número de cotas que SUS disponibiliza.O exame da carga viral também exige repetição de duas a quatro semanas, o que estreita ainda mais o gargalo dos pacientes que podem ser beneficiados com o teste. Marcadores precisosO teste de citocinas baseia-se no estudo dos cientistas Mario Clerice, da Universidade de Milão, Itália, e Jane Schearer, do Instituto Nacional de Saúde, Estados Unidos. Esses pesquisadores descobriram que para se defender do vírus HIV o organismo humano libera proteínas (citocinas), que são encarregadas de recrutar um pequeno exército de substâncias para combater o invasor. No início da doença, as substâncias recrutadas para o contra-ataque são as do perfil TH1, responsável pelo recrutamento das células imunes, as únicas capazes de combater vírus que sobrevivem do parasitismo celular, como o HIV. Não se sabe ainda porque, mas, em um determinado momento, as citocinas passam a recrutar as substâncias do perfil TH2 que, ao contrário do TH1, trabalha com células ligadas à imunidade humoral, que não são eficientes para combater o vírus da AIDS. É neste estágio que as doenças oportunistas começam a atacar o organismo do paciente.Assim, quando o exame detecta a presença do perfil TH1, isso indica que o paciente está num estágio inicial da doença e com boa resposta imunológica. Já o perfil TH2 mostra que o paciente está no estágio terminal da doença. Haveria ainda um terceiro perfil, o TH0, que refere-se a um estágio intermediário da infecção. Daí a importância do exame porque sabemos exatamente o melhor momento para introduzir o coquetel antiAIDS no tratamento, acrescenta Meira. Comparação de testesMeira conta que os pesquisadores da Unesp não se limitaram a utilizar o exame na rotina do hospital baseados apenas no estudo estrangeiro. Eles também fizeram uma comparação para avaliar a eficiência entre os testes de citocinas, CD4 e carga viral.A conclusão desta pesquisa aponta outras vantagens para o exame de citocinas. O teste de carga viral, por exemplo, determina apenas a quantidade de vírus no sangue. Não leva em consideração a resposta imunológica do paciente, que está diretamente relacionada com a atuação dos perfis TH1 e TH2, acrescenta. Em outras palavras, o paciente pode apresentar uma grande quantidade de vírus, mas, se o seu organismo tiver o perfil TH1, é sinal de que seusistema imunológico ainda consegue se defender do vírus.O CD4 também apresenta um poder discriminatório menor do que o das citocinas. Ele detecta apenas a qantidade de células CD4 no organismo. Essas células são receptoras do vírus que, depois de instalado, mata a célula. Assim, pela lógica, quanto mais células CD4 o organismo apresentar, menor será a infecção. A pesquisa da UNESP mostra, entretanto, que só a presença de um grande número de células CD4 não indica eu o paciente está em um estágio inicial da doença. Se o exame de citocinas detectar a presença do perfil TH2 no sangue do paciente, a despeito de haver ou não um número elevado de células CD4, isso é um indício de que o indivíduo entrou para o estágio terminal da doença, explica Meira.O professor Meira acredita que a adoção do exame de citocinas é um importante aliado na orientação terapêutica dos pacientes com HIV. Somos procurados por pessoas de todas as partes do Brasil, fato que deve-se à qualidade do tratamento que oferecemos, afirma. Apesar de o exame de citocinas ser mais preciso, isso não significa que deve-se descartar os testes de carga viral e de CD4, pois o conjunto dessas aplicações dá aos médicos um poder discriminatório maior para conduzir a terapia dos pacientes, conclui.