09 de julho de 2026
Geral

Técnicas buscam o "tamanho ideal"

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

O Ministério da Saúde aprovou no mês passado o uso no País de um aparelho para alongar o pênis, o extensor. Segundo o cirurgião gaúcho Bayard Santos, do Instituto de Andrologia de Porto Alegre, o extensor é como um aparelho de fisioterapia que exerce pressão sobre o pênis, ativando a divisão celular. O resultado é um aumento de 2 a 3cm no comprimento do membro.Mas extensor não é a única maneira de se aumentar o pênis. Há alguns anos diferentes cirurgias tem atingido o tão sonhado objetivo dos homens que se acreditam pouco dotados. As técnicas vão das mais simples, como a do corte do ligamento que une o pênis ao osso no púbis, que, segundo os especialistas, garante até 5cm de aumento, às mais elaboradas como a colocação de enxertos de silicone para alargar o pênis.A cirurgia do corte do ligamento se chama alongamento peniano e foi trazida para o Brasil no início dos anos 90 pelo pelo médico paulista Alfredo D. Romero, diretor do Instituto Brasileiro para a Saúde Sexual (Ibrasexo). O próprio Romero, algum tempo depois, desenvolveria a cirurgia que usa o silicone para aumentar a circunferência peniana. Cirurgião vascular, Romero estudava o tratamento da doença de La Peyronie, uma fibrose no corpo cavernoso do pênis que encurva e reduz sensivelmente o tamanho do membro, quando notou que o tecido sintético que usava para corrigir a doença, provocava um abaulamento do pênis. O tecido sintético em questão era o silastic, uma grade de silicone utilizada em vários tipos de cirurgia. A operação consiste em seccionar o revestimento dos corpos cavernosos (espaços ocos dentro do membro que são preenchidos com sangue na hora da ereção), desde a base do pênis até 2cm antes do prepúcio. No espaço entre as duas bordas seccionadas o médico sutura a grade de silicone resistente e impermeável. O tecido sintético amplia o espaço vital, aumentando a circunferência do pênis numa média de 3cm e é imperceptível na manipulação do membro. Romero também realiza uma cirurgia para a diminuição da circunferência do pênis, no caso de homens que têm o muito grosso o que causa desconforto para as parceiras. A técnica não usa incisões e é realizada na túnica albugínea, o revestimento dos corpos cavernosos. A porção que deve ser diminuída é invaginada para dentro dos corpos cavernosos por meio de pequenas suturas, como se fossem uma prega interna, que não tem o risco de se soltar. Depois de um período de consolidação a superfície da túnica fica lisa e sem qualquer tipo de cicatriz ou anormalidade.ExperiênciasNa opinião do psiquiatra e médico de disfunções sexuais, Carlos Eduardo Carrion, as técnicas para o aumento do pênis devem ser encaradas como experimentais e não como a solução milagrosa para um problema. É experimental porque ainda não tem seus padrões definidos, diz. Ele cita o exemplo das companhias de seguro norte-americanas que cobram valores muitos altos na hora de cobrir essas cirurgias porque o índice de erros e problemas pós-operatórios ainda é muito alto. O Conselho Federal de Medicina considera a cirurgia de aumento do pênis um técnica experimental que pode ser feita como pesquisa em estabelecimentos de ensino e que não pode ser cobrada, diz. O cuidado todo se deve ao fato da cirurgia lidar com uma parte do corpo delicada que tem uma grande influência na parte psicológica do homem e que, se algo sair errado, não há como ser revertido. Segundo o médico, um pênis pode até aumentar 2, 3 ou 4cm, mas se não tiver uma boa cicatrização pode vir a retrair e acabar diminuindo de tamanho. Ou ainda pode ficar cheio de cicatrizes que vão complexar o indivíduo operado mais do que o tamanho o fazia anteriormente.No caso dos extensores, Carrion também é enfático em afirmar que, além de caros os aparelhos não são uma garantia de 100% de sucesso. Uma pessoa precisa usar um aparelho desses por vários meses ou anos e ainda corre o risco de ter o pênis maior, mas mais fino e de sofrer lesões e rompimentos de células. O crescimento celular só acontece se o uso for muito bem feito, diz. O uso inadequado do aparelho pode provocar o mesmo efeito que brincos muito pesados provocam no lóbulo da orelha, ou seja, deixar o membro deformado, além de lesões nem sempre reversíveis. Culto ao órgão masculino existe há milêniosHistoricamente, o pênis tem sido considerado mais importante na vida do homem do que a vagina na vida da mulher. Pelo fato de ser interna, a vagina não está continuamente exposta à observação nem sujeita a danos ou ferimentos. Uma mulher pode, até mesmo, engravidar sem ter ficado sexualmente excitada, enquanto para o homem é improvável, embora não impossível, tornar-se pai sem ter tido ereção e ejaculado.O mito em torno do tamanho do pênis é antigo. Na grande maioria das culturas, o pênis é a árvore da vida, a fonte da criatividade, a raiz da fertilidade desde épocas imemoriáveis. É possível encontrar imagens de deuses muito bem dotados ou que têm a forma de um membro masculino em culturas tão distintas como a egípcia e a das tribos da Nova Guiné, passando pela Grécia e Roma.Segundo uma lenda da tribo de Ioruba (Nigéria), quando Deus estava moldando em barro os primeiros homens, um pouco de massa caiu e grudou em determinada parte do corpo de um deles por engano... e tornou-se o pênis. Príapo, o deus grego da fertilidade (que era filho de Dionísio, o deus do vinho e Afrodite, deusa do amor), tinha fama de ter uma permanente ereção - em sua honra, o povo sacrificava jumentos, que eram símbolo de luxúria. E o gigante Cerne, uma imensa estátua esculpida numa encosta de Dorset (Inglaterra) há quinze séculos, é dotado de um falo muito generoso. Até hoje, os casais que querem ter filhos têm encontros amorosos nos arredores da estátua, para receber os benefícios de sua simbólica fertilidade.No Japão também, ainda hoje, no mês de março em Nagoya, acontece o festival da fertilidade, onde mulheres carregam peças de madeira com o formato de pênis de diferentes cores e tamanhos. Os objetos, chamados dankon, representam a raiz do homem e são considerados o símbolo da vida e a atração do festival, que é um dos últimos cultos que permanecem da antiga cultura japonesa que não foi alterado com a influência ocidental no país.Segundo a cultura indiana, Shiva também tinha poderes lendários: certa vez, fez amor por mil anos consecutivos (com Parvati, Senhora da Montanha) sem ejacular. Então, algo distraiu sua atenção e ele ejaculou; em seguida, o Fogo, que estava por perto naquele momento, transformou-se numa pomba, engoliu o esperma de Shiva e deu à luz Skanda.