As pessoas que não reservam um tempo para viajar ou curtir alguns momentos de lazer sozinhas ou acompanhadas sofrem mais de depressão, uma doença que pode levar até à morte. O número apontado por levantamentos estatísticos de que entre 15% e 20% da população sofre de depressão, no entanto, pode estar superestimado, mas mesmo assim ainda é algo com que se preocupam muito os psicólogos e psiquiatras.De acordo com o professor titular de psiquiatria da universidade Federal de São Paulo, José Alberto Del Porto, os critérios da Classificação Internacional das Doenças e da Associação Psiquiátrica Americana que definem a depressão são excessivamente abrangentes. Com isso, podem ser feitos diagnósticos falsos positivos, disse. Falso positivo, em medicina, é um resultado de teste ou exame que aponta a presença da doença, mas, na verdade, ela não existe.A Universidade de Yale, da Califórnia, apontou em estudos realizados no início dos anos 80, que a freqüência verdadeira da depressão está próxima aos 5,8% da população.A depressão é uma doença orgânica e não apenas psicológica. Existem disfunções químicas no cérebro que acometem o indivíduo como um todo. Ela não é um defeito moral, uma falta de caráter ou preguiça.Para o tratamento da depressão, de acordo com o médico neurologista Antonio Sanchez Sosa, que esteve em São Paulo na semana passada, são necessárias medicações. Os remédios atuais modificam as concentrações dos neurotransmissores (substâncias que fazem a comunicação dentro do sistema nervoso) nas sinapses (áreas de interação entre as células nervosas).Psicoterapia é fundamentalAlguns sintomas somáticos da depressão não melhoram apenas com psicoterapia e outros sintomas psicológicos não melhoram apenas com medicação, ou seja, uma coisa está ligada à outra, portanto um tratamento eficaz é feito com medicação e psicoterapia. A psiquiatria e a psicologia devem trabalhar juntas para proporcionar um melhor tratamento ao doente.As psicoterapias mais indicadas para o doente deprimido, de acordo com a psicoterapeuta Ângela Maria Siqueira de França, são a cognitiva, a comportamental, a interpessoal e a auto-ajuda, que podem ser empregadas como técnicas isoladas ou em associação.A terapia cognitiva enfatiza o pensamento consciente do indivíduo. A interpessoal estuda o contexto social em que o doente está inserido, procurando fazer com que ele analise suas relações pessoais. A auto-ajuda e terapia comportamental servem como reflexão.Para prevenir a depressão, os psicólogos identificam situações de risco (ausência de relações de confidência, baixa auto-estima, desemprego, orfandade antes dos 15 anos, mais do que três filhos menores de 14 anos etc) e os eventos estressantes (luto não resolvido, falta de lazer, estar todo o tempo dentro de um mesmo ambiente, mudanças de papel social, disputas pessoais e solidão) que, agindo nessas situações, desencadeiam episódios de depressão em pessoas com predisposição genética.