08 de julho de 2026
Geral

Fim de ano deixa formandos apreensivos

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Além de festas e comemorações, o final do ano é um período de apreensão para quem se prepara para entrar no mercado de trabalho. Alunos recém-saídos das faculdades de dos cursos profissionalizantes e de formação técnica se vêem frente a frente com o desafio para o qual se prepararam por grande parte das suas vidas e cada um encara o momento de uma maneira diferente. Em comum eles tem apenas a confiança de que, se forem bons, vão conseguir começar com o pé direito na profissão.Na opinião do estudante Adriano Arruda, que está concluindo o curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o momento é de apreensão e ansiedade porque não é possível prever o que vai acontecer, principalmente em sua área, que ele considera restrita na cidade. Eu penso em procurar alguma coisa fora daqui, porque Bauru tem um campo muito limitado e isso não acontece só na minha profissão, diz. A idéia do estudante é procurar uma colocação nos Estados do Norte e Nordeste do País, onde, segundo ele, o mercado está mais carente de profissionais e os recém-formados de universidades do Sudeste têm mais chances, São Paulo e Rio de Janeiro estão saturadas, justifica. Por enquanto, a estratégia de Arruda é enviar currículos e estabelecer contatos com as pessoas certas. A esperança é que não demore muito para conseguir um emprego, o tempo vai passando e a cobrança vai ficando maior, não só por parte da família, mas também da gente mesmo, que se preparou todo esse tempo para esse momento e, agora, não sabe se vai dar certo ou não, diz. Mas ele é confiante: é lógico que as portas não estão tão abertas como a gente espera, mas sempre vai ter espaço para o bom profissional, completa.A estudante do último ano de Psicologia Karina Alves vê o mercado de trabalho como um campo a ser explorado e não teme a transição da escola para a vida profissional, embora admita que sente uma certa ansiedade. Enquanto a gente está estudando está protegida de qualquer cobrança. Quando se forma, tudo muda, As pessoas passam a enxergar você de outra maneira e não perdoam mais erros, diz. A futura psicóloga, que pretende atuar na área organizacional na sua cidade natal, acredita que o mercado esteja bastante saturado. Mas mesmo assim, tenha espaço para todos. Muita gente quer começar, trabalhando em uma grande empresa, em um grande cargo, em uma grande cidade. É preciso, antes de querer tudo isso, ter humildade para começar de baixo. Quem for bom sobrevive, decreta, confiante. O talento é a receita contra a saturação do mercado, diz o estudante de Direito André Leite. Na opinião dele, não é possível ter uma grande expectativa de penetração no mercado de trabalho logo de cara, quando se sai da faculdade, porque sua profissão é muito concorrida e todos os anos centenas de bacharéis em Direito são jogados no mercado. Um ponto para se destacar, segundo o estudante, porém, é o fato de muitos alunos do seu curso já trabalharem em outras profissões ou não desejarem seguir carreira no futuro, Muita gente faz a faculdade e não entra no mercado de trabalho porque tem outra atividade ou não precisa, acredita. O objetivo de Leite é ficar em Bauru e continuar estudando para, quando tiver oportunidade, tentar um concurso público para se tornar promotor ou juíz. Não tenho como montar um escritório. Tenho que batalhar para chegar onde eu quero e sei que só vou conseguir se for competente, diz.Vantagens do cursoPara os alunos que fazem cursos profissionalizantes ou de formação técnica, a escolha feita no início dos estudos garante uma boa expectativa no final, a ponto de afastar a ansiedade como no caso dos universitários. Escolhi fazer um curso técnico para ter mais chances de arrumar emprego, diz Felipe Lamkowski, que está no ultimo ano do curso de técnico em Eletrônica, que ele faz juntamente com o colegial no Colégio Técnico da Unesp. O estudante se prepara para começar a estagiar, no próximo ano, e acredita que o mercado não esteja fácil, mas confia na sorte que a escolha do curso pode lhe proporcionar, se tivesse feito um colegial comum, não teria aprendido muita coisa e teria menos chances no mercado. Mesmo que eu não faça uma faculdade no futuro, vou poder usar o que aprendi aqui num emprego, raciocina.Renan Cardoso, que está no último ano do curso de aprendizagem em Eletro-Eletrônica, na escola de Bauru do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), também optou por um tipo de estudo que lhe garantisse uma maior facilidade de conseguir um emprego, Queria um curso que me desse uma carga de conhecimento um pouco maior para poder entrar no mercado de trabalho com alguma base, explica. Atualmente, Cardoso faz estágio na Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, posto que conseguiu graças ao programa Menor Aprendiz, um convênio entre o Senai e as empresas para garantir uma oportunidade de trabalho para os alunos da entidade. No próximo ano, ele tem trabalho garantido por conta do estágio, mas quando esse período terminar pensa que não vai ser muito difícil conseguir uma colocação. A gente sai daqui com um bom currículo, que tem o nome do Senai, é um ponto a mais na hora de conseguir um emprego, diz. Leandro Saggioro, que também estuda no Senai, mas no curso de Mecânica de Usinagem, afirma que escolheu o curso porque ele tem bastante área no mercado. Como Renan Cardoso, ele faz estágio em uma indústria e acredita que a passagem pelo Senai pode lhe garantir uma boa colocação, mesmo que não estivesse fazendo estágio ou quando ele acabar, acho que posso ter boas chances no mercado porque fui bem preparado para isso. explica. Ele ainda acredita na procura das empresas pelos estudantes da entidade, é um grande nome, eles sabem que os alunos que passam por aqui são bons. Sobre sua área de atuação, Saggioro acredita que o mercado não esteja tão aberto mas confia na escolha natural que, segundo ele, privilegia os melhores. Da mesma maneira que existem engenheiros que trabalham na sua área e os que vendem cachorro-quente, vão existir ex-alunos de cursos profissionalizantes bem colocados e outros não. Quem é bom se mostra, diz.