É o que revela estudo de urologista bauruense. Principal alerta é sobre a aplicação de ondas de choque em criançasUma tese de doutorado defendida pelo urologista bauruense Aguinaldo César Nardi na Unicamp, no final do mês de outubro, mostra que ainda, existem dúvidas sobre a aplicação de ondas de choque de alta energia para fragmentação de cálculos nos rins, em crianças. A experiência feita com ratos juvenis mostrou que existe uma lesão no baço e no fígado, órgãos adjacentes. As lesões não têm tradução clínica e não podem ser encontradas na literatura médica mundial. Embora sejam transitórias, elas podem servir de alerta para que a litotripsia extracorpórea (explosão dos cálculos renais) não seja utilizada indiscriminadamente. O trabalho inédito, foi apresentado no Congresso Mundial de Endourologia em São Paulo. Não há motivo para preocupações, alerta o urologista. Ainda existem dúvidas sobre os efeitos das ondas de choque de alta energia, responsáveis pela explosão de cálculos renais, principalmente em tecidos em desenvolvimento. Ou seja, não se sabe quais poderão ser os comprometimentos dos rins e dos órgãos adjacentes quando a criança submetida a este procedimento tiver 50 anos. Porém o método não deve ser descartado, mas aplicado com critério. Nardi explica que o tratamento é o mais recomendado nos dias atuais por ser o mais simples. Não precisa cortar. Utilizando uma máquina que emite ondas de choque é feita a explosão dos cálculos. Estas ondas atravessam os tecidos e estouram as pedras. O próprio organismo elimina as pedras, através das vias naturais. É um método utilizado há apenas 17 anos. Os efeitos futuros ainda estão sendo pesquisados. No estudo realizado por Nardi, as mesmas ondas choques aplicadas em humanos foram usadas com os 60 ratos Wistar, machos, no aparelho do hospital Albert Einsten. Fomos estudando o que estava acontecendo nos órgãos adjacentes ao rim. Observamos o pulmão, baço, fígado, pâncreas e adrenal. Notamos que o baço e o fígado apresentaram lesões transitórias.O urologista diz que o trabalho de observação deve ser considerado como um alerta. Pacientes que tenham alterações hepática no fígado, tais como: hepatite C, hepatite crônica ativa devem se submeter ao tratamento com muito critério, uma vez que as lesões observadas nos ratos podem se repetir nos humanos.O tratamento, segundo o médico continua sendo o mais seguro e mais indicado para grande parte dos casos, porém, a indicação deve seguir critérios rigorosos. As pessoas imaginam que por não ter anestesia e ser feito em regime ambulatorial, pode ser feito indiscriminadamente. Não é bem assim. Só o urologista poderá avaliar o caso, existem outras alternativas para o tratamento do cálculo renal.Nardi lembra que a explosão dos cálculos renais é muito bem indicada para pedras menores do que dois centímetros. Porém, nos pacientes hipertensos, diabéticos e com idade superior a 60 anos, o método deve ser realizado com muito critério, pois o risco de complicações aumenta neste grupo. ExperimentaçãoCom o objetivo de avaliar os efeitos das ondas de choque de alta energia nos órgãos adjacentes ao rim, foram estudados 60 ratos em crescimento. Eles foram divididos em dois grupos: o controle e o experimental.O grupo controle não recebeu ondas de choque, enquanto que o grupo experimental foi exposto a 1000 ondas de choque de 17,2 kV de intensidade. Os ratos foram sacrificados após sete, noventa e oitenta dias após a exposição às ondas de choque de alta energia.As alterações no baço e fígado dos animais submetidos às ondas foram notadas nos animais sacrificados no sétimo dia. Essas lesões desapareceram completamente nos estudos posteriores. No grupo sacrificado aos 90 e aos 180 dias as lesões não foram notadas, o que significa que eram transitórias.