08 de julho de 2026
Geral

Gasolina batizada e crismada...

N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Muitos proprietários de veículos movidos a gasolina estão a ponto de explodir devido ao mau funcionamento de suas quatro rodas, conseqüência direta da inadequação do combustível adquirido em alguns postos de abastecimento. Outrora absolutamente pura, sem manchas nem nódoas, com octanagem irrepreensivelmente correta, conforme exigido pelos motores específicos, a gasolina vai de tempos a esta parte recebendo aditivos em proporções contraproducentes, tendo-se a impressão de que o combustível levado aos tanques dos carangos tem mais derivados de cana que de petróleo. Os motoristas estão, indubitavelmente, com carradas de razão para lavrar protestos onde possam, conforme se tem tomado conhecimento nos principais centros consumidores, principalmente nas Capitais, a partir da convicção muito serena de que veículo fabricado para ser acionado a gasolina não deveria sê-lo, em hipótese alguma, a poder de álcool, mediante combustível batizado e crismado na sua fonte de produção ou nos postos abastecedores em geral.Sabe-se, pelo noticiário da mídia, que o Conselho Nacional do Petróleo está desenvolvendo, mais que antes, fiscalização rigorosa junto aos revendedores do combustível e pretende levá-la a todas as suas mais sérias conseqüências. Ainda na semana que terminou seus fiscais surpreenderam centenas de revendas no País passando para sua freguesia gasolina criminosamente adulterada, em proporções de quase 50 por cento. E, por isso mesmo, fixaram severas sanções para eles, punindo as empresas não só por causa desse ilícito como pelo fato de estarem manipulando a propriedade alheia, no caso os veículos que, traídos pela falcatrua, funcionam mal, extremamente mal, sujeitos a todos os problemas afins, notadamente vida curta. Então, é preciso mesmo que a fiscalização do CNP seja desenvolvida com todo rigor, reprimindo a ação dos infratores que não podem continuar, indefinidamente, dando uma de falso vigário paroquial, batizando e até crismando adoidadamente o tradicional produto petrolífero com líquidos que nada têm de bento ou santo, procedentes de várias fontes, inclusive dos verdes canaviais do imenso território brasílico. Misturar não é permitido e o que não é admitido é simplesmente proibido. É a nossa opinião! (N. Serra, Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado).