08 de julho de 2026
Geral

Governo se desgasta com o processo Cesp

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O Governo do Estado saiu desgastado do processo de tentativa de privatização das usinas da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) instaladas no rio Paraná. A avaliação é do diretor do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp), engenheiro Carlos Augusto Ramos Kirchner. Para ele, o governo tem obsessão pela privatização da Cesp e, provavelmente, continuará insistindo na sua venda.O sindicalista diz que é difícil apontar quais os reais motivos que levaram os consórcios interessados na companhia em desistir do leilão. Há especulações de que os grupos combinaram a desistência em comum acordo para forçar uma queda no preço mínimo, estipulado em R$ 1,7 bilhão.A versão oficial anunciada pelos consórcios está relacionada as problemas com o licenciamento ambiental da usina hidrelétrica de Porto Primavera. De certa forma, acho que pesou tudo. A sociedade está de olho no preço mínimo da companhia. É um valor subavaliado, afirma Kirchner.Ele espera que o governo corrija as distorções antes de colocar novamenta a Cesp-Paraná em processo de venda. Acho que a Cesp é uma empresa estratégica para o futuro do nosso Estado, diz. O sindicalista avalia que o governo tem um olhar muito curto sobre o assunto. Kirchner explicou que a empresa vencedora é obrigada a aumentar em 15% a geração de energia no prazo de oito anos.É só a empresa vencedora concluir a instalação da usina hidrelétrica de Porto Primavera para cumprir esse item. Os outros 22 anos da concessão serão de pura exploração, denuncia. O sindicalista analisa que os consórcios interessados tiveram bom senso ao desistir do leilão. Muito mais do que o governo. Ele defende a tese de que, no setor de geração de energia, o Estado não pode ficar dependente da iniciativa privada.LiminaresA briga pela suspensão do leilão da Cesp não foi um fato isolado que teve como protagonista só o Estado de São Paulo. Promotores do Mato Grosso do Sul - Estado cuja área é banhada pelos lagos das usinas da Cesp - também compraram a briga. Junto com eles está a Assembléia Legislativa, que chegou até a instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar questões de meio ambiente relacionadas ao lago da usina de Porto Primavera.Quatro liminares, dos três em instância estadual, suspenderam o leilão da companhia. Segundo o jornalista Edson Moraes, assessor do deputado estadual Waldir Neves, presidente da CPI, as liminares foram embasadas em legislação federal que rege questões do meio ambiente.A legislação exige que toda madeira cortada para dar lugar a um lago, açude ou barragem deve ser encaminhada para aproveitamento. Moraes informou que a Cesp desmatou uma área de seis mil hectares para encher o lago da usina de Porto Primavera. O desmatamento rendeu 80 mil metros cúbicos de madeira, que ficaram amontoadas na região de Bataguaçu, sem destino, até o último sábado. A partir de domingo, um incêndio começou a queimar a madeira. Hoje, só há cinza no local, disse o assessor.