08 de julho de 2026
Geral

Acusado de matar sem-terra em Piratininga pega 16 anos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Piratininga - O julgamento do sem-terra João Benedito Camargo, 39 anos, realizado ontem no Forum de Piratininga resultou numa condenação de 16 anos e 4 meses de prisão, em regime fechado, por homicídio qualificado. Mesmo com a sentença anunciada, a pena de Camargo ainda não é definitiva. Os advogados do réu deverão entrar com recurso judicial contestando a sentença. O julgamento de ontem durou pouco mais de 8 horas.Camargo é acusado de matar seu companheiro de acampamento, Lafaiete Antônio de Oliveira, 42 anos, que era um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), durante a ocupação da fazenda Santo Antônio, no distrito de Brasília Paulista, próximo a Piratininga.O crime ocorreu no dia 11 de junho do ano passado e Camargo assumiu a autoria em depoimento prestado, dias depois, na Delegacia de Polícia de Piratininga. Na época, ele alegou motivos passionais para agir de forma tão violenta.Camargo foi preso em Itaberá, quase na divisa com o Estado do Paraná, onde morava com sua mulher, Maria Izabel Camargo e duas filhas. A polícia encontrou no local uma espingarda, uma cartucheira, munição, facão e punhal. Apreendeu também um revólver Taurus, calibre 38, que teria sido usado no crime. Encontrou ainda recibo de um depósito feito na conta da mulher de Camargo, no Banco do Brasil, no valor de R$ 5 mil em dinheiro. Sobre o recibo Camargo disse à imprensa, na época, que o dinheiro era referente a pequenas quantias que ele vinha juntando e que resolveu depositar.Crime PassionalDurante seu depoimento, Camargo afirmou que matou o sem-terra Lafaiete porque este vinha fazendo intrigas com sua esposa, dizendo que ele mantinha um relacionamento amoroso com outra mulher. Camargo contou à polícia que conhecia Lafaiete há quase dois anos. Mas foi quando passou por Bauru (no horto) que ficou sabendo que Lafaiete estaria tentando denegrir sua imagem junto a sua esposa.Depois de ficar alguns dias no acampamento do horto florestal, em Bauru, Camargo levou a mulher de volta para Itaberá. Ele disse que após ficar sabendo das "intenções" de Lafaiete, passou a andar armado e decidiu matá-lo."Assassinei porque ele foi uma pessoa que abusou da minha família. Isso é uma coisa que eu não aceito. Ele comia e bebia em minha casa. Era como um irmão para mim", disse Camargo na época, à imprensa.No dia 11 de junho, Camargo disse que teve a chance que estava esperando. Lafaiete estava sozinho em um canto do acampamento. Camargo teria se aproximado e dado início a uma breve discussão, que foi seguida pelos vários tiros disparados por ele.Depois de descarregar sua arma, Camargo teria voltado para seu barraco de lona e três dias mais tarde voltou para Itaberá, onde estava sua família e onde foi preso, sendo encaminhado, em seguida, à Cadeia Pública de Piratininga.