08 de julho de 2026
Geral

Greve no HC deixa 4,5 mil sem médico

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Funcionários do Hospital das Clínicas de Marília entraram em greve ontem e deixaram milhares sem atendimentoMarília - Os funcionários do Hospital das Clínicas (HC) de Marília entraram em greve ontem e não há previsão de uma possível volta ao trabalho. Com a paralisação, cerca de 4,5 mil pessoas deixaram de ser atendidas diariamente. Segundo a assessoria de imprensa da Faculdade de Medicina de Marília (Famema), que administra o hospital, estão funcionando, em sua plenitude, apenas os setores de urgência e emergência (pronto-socorro) do hospital. Nos demais setores estaria sendo feito um rodízio entre os funcionários para colocar em funcionamento pelo menos os 30%, exigidos por lei, da capacidade de cada um desses setores.Com a greve, estão sendo feitas apenas cirurgias de emergência. Aquelas consideradas eletivas, sem urgência, estão sendo adiadas. Os pacientes que chegam ao ambulatório para serem consultados também são dispensados ou orientados a procurar um outro hospital ou voltar em um outro dia. Somente casos de emergência são atendidos.O hospital, que oferece atendimento 24 horas, atende em média, segundo a assessoria, 4,5 mil pessoas diariamente. Sendo 500 no setor de emergência, um mil no ambulatorial e 3 mil procedimentos, como exames e radiografias, por exemplo. A média mensal de internações está em torno de 700.O HC de Marília, que engloba a Unidade Clínica Cirúrgica, a Unidade Materno-Infantil, a Unidade Oftalmológica e o hemocentro, entre outros setores, é uma referência regional no atendimento médico. Segundo a assessoria, o hospital atende pacientes de 35 cidades da região de Marília. Em algumas especialidades, até mesmo pacientes de Assis e Presidente Prudente, que não fazem parte da DIR-14, são atendidos.A crise financeira, por que passa o hospital, seria o principal motivo da greve, segundo informações da assessora de imprensa da Famema, Gisele Castelassi. Os funcionários reivindicam, entre outras coisas, melhores condições de trabalho e reajuste salarial.Para fechar o ano sem dívidas, o Governo teria que liberar, segundo as contas de Castellassi, cerca de R$ 5 milhões ao hospital. Esse dinheiro serviria para pôr em ordem o pagamento dos funcionários e dos fornecedores. Por causa da dívida, estaria faltando material básico, como luvas descartáveis e máscaras. Medicamentos e alimentação para os pacientes, seriam outros dois itens afetados pela falta de recursos.Quanto à questão salarial, Castellassi informa que apenas 80% do salário de novembro foi pago. O pagamento teria sido feito anteontem.A greve estaria servindo também para reivindicar esses 20% restantes do salário de novembro, além da garantia de pagamento da segunda parcela do 13º salário e dos vencimentos de dezembro, que devem ser pagos no início de janeiro, mas a diretoria do hospital já teria dito aos funcionários que não há dinheiro para honrar esses compromissos. Um reajuste salarial de 11,25%, a partir de maio e um abono de 28% a ser incorporado ao salário de abril, também fazem parte da lista de reivindicações dos funcionários.Trabalham hoje no HC de Marília, segundo Castellassi, 1.387 funcionários, entre os quais estariam 194 médicos docentes, 94 médicos residentes, 465 alunos de Medicina e 161 de Enfermagem. Desses, 80% teriam aderido à greve.A reportagem do Jornal da Cidade procurou, durante a tarde de ontem, o presidente da Associação dos Funcionários Universitários Não Docentes, Luís Carlos de Paulo e Silva, e representantes da Associação dos Funcionário do HC, mas eles não foram encontrados para comentar a greve.Porém, Castellassi já havia adiantado ao JC que todas as tentativas de negociação com o Governo do Estado e com a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico não avançaram em nada, até o momento.