08 de julho de 2026
Geral

O ombudsman do povo

Sebastião Misiara
| Tempo de leitura: 2 min

A renovação do Poder Legislativo no Estado de São Paulo, que chega na média a 48%, provoca a curiosidade dos líderes comunitários recém-eleitos sobre o verdadeiro papel do vereador. Por trás do fenômeno da grande procura dos administradores públicos e dos vereadores pelos temas abordados pela Uvesp, como a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei de Improbidade Administrativa, está a mudança de consciência das lideranças políticas do Estado de São Paulo. O papel do vereador ganha caráter mais social na mesma medida em que os cidadãos, revestidos do voto, passaram a cobrar de maneira mais incisiva as atitudes do homem público. O vereador do futuro está atento às mudanças no mundo. Por viver o cotidiano da cidade, estar em contato diário com seus concidadãos, que têm suas famílias integradas ao cotidiano do município, o vereador passa a assumir, ainda que com certo atraso, o papel de agente do desenvolvimento local. Mas de que forma o vereador contribui para a geração de riquezas e do bem- estar social? Não há segredos. Basta dirigir sua atenção e suas iniciativas no sentido de garantir junto ao Executivo as obras e os serviços públicos destinados à população, redirecionar seus esforços para que os recursos arrecadados sejam investidos em atividades produtivas vinculadas à base de produção e à força de trabalho do município, e cobrar a transparência e a lisura na administração pública. É este vereador comprometido com a comunidade, que a partir de agora transformará a Câmara Municipal no estuário da vontade popular, na caixa de ressonância da esperança, dos desenganos, dos problemas e das reivindicações populares. É uma transição que começou com o resultado das urnas. A Câmara Municipal da capital, a maior vitrine do País, foi radicalmente renovada. O recado dos eleitores foi dado punindo com a derrota a maioria dos vereadores desonestos e premiando com a reeleição a maioria que conduziu seu mandato em prol da população. No interior, o quadro foi parecido e metade não se reelegeu. Atento a esta realidade o vereador precisa se nortear pelos princípios do direito de pleitear direitos, do direito de conservar direitos e do direito à defesa dos direitos. Seus deveres são mais que obrigações.São privilégios. No moto contínuo, desde o berço dos fundamentos da democracia na Grécia Antiga, o Poder Legislativo evolui e passa à etapa de confluir suas atitudes e pensamentos aos interesses da coletividade. O vereador, mais do que fazer leis e encaminhar reivindicações ao Executivo, deve aprender a ser o onbudsmom do povo: o defensor dos direitos humanos, o ouvidor e o procurador dos cidadãos. Só assim ele vai se tornar um referencial ético, expectativa que o povo alimenta desde o dia em que ele conferiu seu voto de confiança nas urnas. (O autor, Sebastião Misiara, é presidente da União dos Vereadores do Estado de São Paulo)