10 de julho de 2026
Geral

Parceria usa terapia inédita em Jaú

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

nos da Apae estão sendo submetidos a terapia diferente para superar deficiências. A ordem é andar a cavaloJaú - Uma parceria entre a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Sociedade Agropecuária da Região de Jaú (Sarj) e Polícia Militar está possibilitando um tratamento físico e psicológico inédito às crianças assistidas pela Apae, em Jaú.Em funcionamento há mais de dois meses, de forma experimental, e há três semanas de forma oficial, a equoterapia se propõe a auxiliar as pessoas com problemas físicos ou mentais usando como instrumento a montaria em cavalos. Equoterapia é um tratamento que fortalece a musculatura do indivíduo, que melhora o seu equilíbrio, explica Américo Martins, major da Polícia Militar, em Jaú, comandante interino do 27º BPM/I e instrutor de equitação, formado pelo Exército. Segundo ele, o cavalo tem uma cavalgadura classificada como tridimensional. Ou seja, o movimento feito pelo animal segue diferentes direções: para cima, para baixo, para o lado, para frente e para trás. Em razão disso, o praticante desta terapia, de acordo com o major, recebe múltiplos estímulos através da coluna. Isso favoreceria, segundo ele, particularmente os praticantes que possuem algum tipo de atrofia muscular.O respeito que o cavalo requer e a disciplina que a equitação exige, seriam outros dois aspectos importantes para estabelecer limites ao comportamento do praticante.Para viabilizar o trabalho com as crianças da Apae, a Sociedade Agropecuária está colaborando com o fornecimento dos cavalos, com a cessão do local e de materiais para as sessões semanais de equoterapia. A Polícia Militar colabora com a liberação dos equitadores. E a Apae, além do veículo para a condução das crianças, contribui ainda com a cessão de profissionais especializados na área de fonoaudiologia, psicologia e fisioterapia.Nós escolhemos seis policiais nosso que já tinham contato com os cavalos e os mandamos para Brasília, juntamente com os profissionais da Apae, para fazer um curso de equitação. Após a conclusão desse curso, os participantes receberam o título de equoterapeutas, o que possibilitou a formação da equipe de apoio que temos hoje para orientar as crianças durante as sessões, informou o major.As sessões de equoterapia são realizadas às sextas-feiras, com duração que varia de 20 a 30 minutos cada uma, sempre com 12 crianças. No fim de cada sessão, um prontuário é preenchido pelos equoterapeutas, com detalhes da participação de cada aluno. E a cada três meses, esses prontuários passam por uma detalhada avaliação médica. As sessões são sempre realizadas no Recinto da Expo-Jaú, a partir das 8h30.Antes de iniciarem o tratamento com base na equoterapia, as crianças passam por avaliações médicas, para saber se elas têm condições de montar a cavalo, sem que isso traga conseqüências mais graves, como possíveis lesões. Somente após isso, o tratamento é iniciado.Para a fisioterapeuta, Cila Mara Milani, que faz parte da equipe de apoio, esse tratamento, tendo como base a montaria em cavalo, é muito importante no aspecto que envolve sua área de atuação. Primeiro, porque não há nenhuma contra-indicação. Existem, sim, precauções a serem tomadas, nada mais que isso. Segundo, porque esse tratamento pode ser feito com todas as crianças, a partir dos dois anos de idade. E terceiro, porque a criança se sente estimulada, pois sai de um ambiente de rotina, e passa a associar a equoterapia com diversão e lazer. Ela não percebe que aquilo está interagindo no corpo dela, justificou Milani.Ela garantiu ainda que, com essa terapia, é possível trabalhar com vários aspectos físicos do praticante, como alongamento, fortalecimento muscular, equilíbrio, coordenação e postura.Para a fisioterapeuta, a equoterapia pode ser considerada uma terapia completa. A criança se distrai, não fica aquela coisa maçante, de todo dia ser a mesma coisa. Você introduz exercícios que podem ser classificados tanto como esportivos quanto terapêuticos. A criança vai aprendendo de uma maneira que ela nem percebe, salientou Milani.Mesmo tendo sido colocado em prática há pouco tempo com as crianças da Apae, o tratamento, segundo Milani, já demonstra uma certa evolução, tanto no aspecto comportamental como no aspecto físico. Porém, segundo ela, que também é uma das integrantes da equipe técnica envolvida com o projeto, essa evolução varia de aluno para aluno. Alguns evoluem mais que os outros. Há casos, no entanto, que não apresentam evolução. É tudo muito relativo, afirmou Milani.Com evolução ou sem ela, o que mais importa para Milani e toda a equipe comprometida com essa terapia inédita, envolvendo os alunos da Apae de Jaú, é possibilitar um meio de vida mais saudável aos seus praticantes. A nossa proposta, com esse programa, é oferecer uma qualidade de vida melhor para as pessoas portadoras de deficiência, em particular. E isso nós conseguimos, com ou sem evolução, declarou a fisioterapeuta.A Apae de Jaú presta assistência, atualmente, a 150 crianças, das quais apenas doze participam das sessões semanais de equoterapia. Com o encerramento do ano letivo, o programa deverá ser interrompido, devendo voltar no próximo ano. Até lá, Milani espera um aumento no número de profissionais que formam a equipe técnica da instituição para, igualmente, aumentar o número de crianças beneficiadas com o tratamento. Enquanto uma parte dessa equipe auxiliaria as crianças durante a terapia, a outra permaneceria na instituição, com o restante das crianças.