Quando se cuida de meio ambiente, vemos estampados nos jornais nações desevolvidas cobrarem de nossos governantes e de nosso povo resultados satisfatórios. Chegam a imiscuir-se na forma pela qual o meio ambiente deva ser tratado. Falam e pouco escutam; parecem ser justos no trato com o ambiente, em prol dos habitantes do planeta Terra. Numa palavra: o meio ambiente seria transnacional.Contudo, analisando mais detidamente o que ocorre aqui e alhures, é muito mais fácil criticar os outros do que resolver os próprios problemas, ou seja, faça o que digo, porém, não o que faço. Parece ser da natureza humana ver o outro como objeto a ser manipulado, como um ser diferente do locutor, enfim. A manipulação de dados estatísticos, de fatos e de pessoas ressoa de maneira infrutífera e ofensiva às pessoas de bem. Mas é a regra na comunidade internacional, infelizmente. Enquanto nações evoluídas mostram-se preocupadas com o que denominam pulmão do mundo (Floresta Amazônica), e sempre pedem para contribuir, de algum modo, na terra brasileira, de outro lado, não conseguem ratificar simples protocolo, do qual constam limites ao aquecimento global, praticado sobretudo pelos EUA e pela União Européia. Trata-se do Protocolo de Kyoto, de 1997, o qual, para ter efeitos práticos, precisaria ser ratificado pelos responsáveis do aquecimento global.Mas o fracasso da Conferência de Haia, ocorrida neste mês, retirou a possibilidade de vermos os países ditos evoluídos ajudarem o próximo e a si mesmos. Não houve acordo quanto às medidas a serem tomadas para resolver o aquecimeno global e teremos de ver, por muito tempo, os efeitos devastadores disso; a mudança climática, havida por causa do mencionado aquecimento, perdurará durante longos anos.O materialismo dos homens de hoje chega a ser absurdo; por questões econômicas e políticas (às vezes também sociais, como o desemprego), ninguém deseja ceder passo certo, a fim de acomodarmos a situação na qual, se todos contribuíssem, ninguém restaria prejudicado. O egoísmo, a competição acirrada, a globalização cessaram ou diminuíram os dons da natureza humana, a sabedoria, a inteligência, a razão. Estamos diante da pobreza de argumentos sérios e comprometedores, à medida da manipulação de alguns países com outros, menos evoluídos. Escrevi, certa feita: As reuniões, os conclaves, os encontros, as discussões realizadas em todos os lugares, por todos os países, isoladamente ou em conjunto, não chegam a dar os resultados esperados... Nesse cenário sem fronteiras, os países desenvolvidos muito falam, exigem condutas mais rigorosas, mas igualmente não têm tido sucesso na proteção ambiental. É problema mundial que afeta todas as nações. O que esperamos de nosso futuro diante da extrema incompatibilidade do capital com os direitos fundamentais da vida humana? Até quando estaremos vendo as discussões dos bastidores não terem qualquer efeito, senão o de mostrar as limosinas, os hotéis, a indiferença e a arrogância do Poder? Quem sabe, um dia, haverei de respondê-las.(*) Heraldo Garcia Vitta, Juiz Federal em Bauru, Prof. de Direito Administrativo, Presidente do IBADIP (Instituto Bauruense de Direito Público) e autor do livro Meio Ambiente e Ação Popular (Ed. Saraiva)