09 de julho de 2026
Geral

Sobrinho admite ter matado as tias em Botucatu

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - Depoimento do principal acusado de matar as irmãs Vilma de Oliveira, 60 anos e Ana Lúcia de Oliveira, 50 anos, impressionou até policiais ontem à tarde em Botucatu. O auxiliar de laboratório José Alexandre do Prado, 29 anos, segundo delegado Celso Olindo, contou com frieza e detalhes, como tudo teria acontecido na noite do último dia 7, quando Ana e Vilma foram mortas a facadas. Prado era sobrinho das mulheres e disse à polícia que queria passar um corretivo nas tias já que elas estariam interferindo em sua vida pessoal. Ele contou que na noite do crime chegou a tomar banho, chupar laranja e usar roupas da casa das vítimas.As investigações para tentar esclarecer os crimes, segundo o delegado, tiveram início imediatamente até porque a forma como aconteceu - uma pessoa invadiu uma residência e cortou o pescoço de duas mulheres, sem um motivo aparente - causou um certo pânico entre a população, já que esse não é um tipo de ocorrência comum na cidade. As pessoas nos ligavam querendo saber se já havíamos prendido o matador. Se existia na cidade um provável matador em série. Notamos muita apreensão por parte da população, disse Olindo.Mas logo quando a polícia começou a ouvir parentes, amigos e vizinhos, as suspeitas sobre Prado se sobressaíram. Um dos objetos que a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Botucatu encontrou na casa de Prado e que reforçaram as suspeitas sobre ele foi um tênis cuja palmilha tinha manchas de sangue.Depoimentos de vizinhos da antiga casa onde Prado morava - ele havia se mudado recentemente - também despertaram a atenção dos policiais, segundo o delegado Celso Olindo. Eles disseram que o suspeito aparentava muita frieza quando matava cachorros. De acordo com depoimentos dessas pessoas, segundo Olindo, Prado teria matado vários animais de rua e dele próprio. A alegação do suspeito para a matança de cães era a de que ele entendia que as pessoas deveriam cuidar melhor de seus animais e não deixá-los soltos pela rua.Foi apurado ainda que logo após chegar em casa na noite do crime, Prado havia deixado um bilhete para sua mulher informando que iria para São Paulo, o que acabou não acontecendo, já que no dia seguinte ele foi trabalhar, na Unesp/Botucatu, onde era auxuliar de laboratório. Segundo o delegado, Prado já havia desempenhado funções ligadas à área de dissecação de corpos humanos e experiências com animais. Atualmente trabalhava na parte de incineração.Outra observação da DIG é que durante as investigações apurou-se que Prado tivera desavenças com as tias. Ontem, durante o depoimento, disse que queria passar um corretivo nas duas, já que ele não era bem-vindo naquela casa e também pelo fato das irmãs interferirem em sua vida.De acordo com o depoimento, na noite do crime, por volta das 20 horas, Prado foi até o quintal da casa das vítimas e com os dentes teria rasgado uma camiseta que encontrou no local e com a qual cobriu a cabeça. Ainda no quintal, teria se deparado com Vilma. Teria então dado um soco e desacordado a tia que foi levada para dentro da casa. Ana que estava no interior do imóvel também foi surpreendida e agredida. As duas teriam sido amarradas por algum tempo, período esse em que Prado teria permanecido no local e inclusive chupado laranja. Depois, quando as duas foram desamarradas Ana teria cobrado explicações e recebido uma facada no abdome e caído no banheiro. Na sequência Vilma também fora agredida a faca e daí por diante teria havido uma sucessão de golpes contra as mulheres, principalmente nos pescoços. A faca ficou na pia.