08 de julho de 2026
Geral

Creche é o maior problema de Bauru

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar da boa colocação no ranking do Unicef, faltam 2,2 mil vagas em creches. A maioria das cidades tem déficitApesar da boa colocação na pesquisa realizada pelo Unicef (fundo das Nações Unidas para a infância) - 9.º lugar no Estado e 15.º no País - Bauru ainda possui um grande problema a ser resolvido: o amparo social da educação. De acordo com a secretária municipal do Bem-Estar Social, Sandra Scriptore, o município possui um déficit de 2,2 mil vagas em creches, além de falta de estrutura para atender uma outra faixa etária não elencada pela pesquisa - 7 a 14 anos. Muitos pais deixam os filhos sozinhos em casa para trabalhar, já que não podem pagar uma babá ou colocá-los em berçários particulares, explicou.O levantamento do Unicef mostra que somente 15,87% das crianças da cidade estão matriculadas em creches. Mas, o problema não se restringe somente a Bauru. De todas as cidades pesquisadas, a maioria dificilmente ultrapassa a casa dos 40%.Funcionam na cidade 39 creches, sendo 13 do município e 26 da sociedade civil. Sandra Scriptore disse que três novas creches deverão ser entregues à população no próximo ano. Vamos diminuir essa demanda por vagas, mas não dá para solucionar o problema ainda, ressaltou.A dona de casa Neide Aparecida Célio, 24 anos, sente na pele o problema. Ela tem três filhos, com idades variando entre 1 e 8 anos. O mais velho está no ensino fundamental e os dois menores não estão matriculados em nenhuma instituição - nem creche, nem escola de ensino infantil. Não consegui vaga para minha filha de 6 anos na escola de educação infantil no ano passado. E, para o mais novo, não há vagas em creches. Por não ter com quem deixá-los, não posso arrumar emprego, explicou. Moradora do bairro Ferradura Mirim, Neide conta que muitas mães apelam para a vizinhança para deixar as crianças na hora de ir para o trabalho. A secretária do Bem-Estar Social lembrou que não bastam as creches. É preciso implantar atividades extras nas escolas públicas de ensino fundamental para manter as crianças no período em que elas não estão estudando. Quem tem filho entre 7 e 14 anos também precisa de um local para deixá-los enquanto estão trabalhando, salientou. Ela contou que já existem alguns programas culturais funcionando justamente com esse objetivo, mas é preciso ampliar a capacidade de atendimento.