08 de julho de 2026
Geral

Bauru é 15ª no País, aponta Unicef

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 5 min

No Estado, Bauru ocupa 9.ª posição. Unicef pesquisou mais de 5,5 mil municípios analisando condição de vida das criançasBauru é a 9.ª cidade do Estado de São Paulo a obter o melhor Índice de Desenvolvimento Infantil (IDI), de acordo com uma pesquisa realizada pelo Unicef - fundo da Organização das Nações Unidas para a infância. Entre os 5.507 municípios brasileiros pesquisados, a cidade obteve a 15.ª colocação na qualidade de vida para crianças de zero a 6 anos. O índice foi comemorado pelos vários setores da administração municipal envolvidos no levantamento.O IDI verificado em Bauru foi de 0,752. Isso a colocou acima de cidades como Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Araçatuba, São José dos Campos, Ribeirão Preto e São Paulo. Entre as nove primeiras colocadas, ficaram municípios como São Caetano do Sul, Marília e Santos (confira quadro).O IDI varia de 0 a 1, sendo 1 o valor máximo que a cidade deveria buscar atingir no processo de sobrevivência, crescimento e desenvolvimento de suas crianças no primeiro período da vida. Acima de 0,800 a situação aponta para um desenvolvimento infantil elevado; entre 0,500 e 0,799, desenvolvimento infantil médio e abaixo de 0,500, desenvolvimento infantil baixo. Para calcular como está a situação infantil no Brasil, o Unicef levou em consideração cinco itens: escolaridade dos pais, número de crianças com menos de um ano vacinadas, número de gestantes que realizam mais de seis consultas pré-natal, número de crianças matriculadas em creches e na pré-escola.A escolaridade dos pais foi apontada como um dos principais fatores favoráveis ao desenvolvimento da criança. De acordo com o Unicef, a educação, principalmente materna, ajuda a diminuir a mortalidade tanto infantil, quanto da própria mulher durante o parto. Se a mãe tem menos de um ano de estudo, a taxa é de 93 mortes para cada mil crianças nascidas vivas. Quando a mãe tem entre um e três anos de estudo, este índice cai para 70 por mil, e quando a mãe tem entre nove e 11 anos de estudo, a taxa média é de 28 por mil, indica o relatório da entidade.Bauru se destacou nesse quesito, pois apresentou um índice de apenas 12% de mães com menos de quatro anos de estudo (educação precária) e 29,18% de pais na mesma situação.Os direitos aos serviços básicos de educação e saúde também foram considerados satisfatórios. A cidade conta 86,57% de crianças com menos de um ano vacinas contra sarampo e 90,28%, imunizadas contra difteria, tétano e poliomelite. O ideal é 100%. O sistema público de saúde oferece essas vacinas gratuitamente, mas muitos pais deixam de levar os filhos porque esquecem ou alegam falta de tempo, salientou a secretária municipal da Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes.Para solucionar esse problema, ela estuda ampliar o horário de atendimento das Unidades Básicas de Saúde (UBS) para além das 17 horas e desenvolver mais programas educativos junto aos pais.Em relação aos exames pré-natal, Bauru obteve um índice de 92,24% de mães que realizam mais de seis consultas durante a gravidez. O relatório da Unicef diz que este também é um desafio importante e urgente para o País. Não só em termos de quantidade, mas de qualidade também. Na região Nordeste, 26 em cada 100 gestantes não realizam nenhuma consulta pré-natal. Mesmo dentro das regiões, são grandes as diferenças entre áreas rurais e urbanas. No Brasil, na área rural, 32% das mulheres não realizam nenhum controle pré-natal. Nas zonas urbanas, esse índice é de 8,6%. Segundo dados de 1997 do Datasus/Ministério da Saúde, somente dez Unidades da Federação alcançam o índice de 50% das mulheres grávidas que realizam pelo menos as seis consultas pré-natais recomendadas. São elas: Minas Gerais (51,67% das gestantes com seis consultas pré-natais), Sergipe, Mato Grosso, Goiás, Paraíba, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul (67,05% das gestantes com seis consultas pré-natais). No Amapá, apenas 21,49% das mulheres alcançam o número de consultas recomendado. Essa ausência de atendimento pré-natal lega ao País um déficit de 9 milhões de consultas a cada ano, descreve o documento da entidade.Para a secretária da Saúde, há um significativo crescimento do número de mulheres que realizam o pré-natal em Bauru. Mesmo assim, o índice ideal, de acordo com ela, seria o de 100% de acompanhamento médico da gravidez. O problema é que muitas mulheres acreditam que não é necessário realizar diversas consultas quando estão se sentindo bem de saúde, disse. Mais uma vez, o trabalho de conscientização é o melhor caminho, segundo Eliane.Para Nilson Costa, classificação foi uma "agradável surpresa"O prefeito Nilson Costa definiu a divulgação, pelo Unicef, da classificação de Bauru entre os municípios nas melhores condições de desenvolvimento infantil do País como uma agradável surpresa. Para um final de ano, esta notícia é bastante positiva para a população de Bauru, declarou.Nilson Costa atribui a 15.ª colocação de Bauru no ranking do País ao resultado dos cuidados promovidos pelo Município à infância. Temos tomado medidas preventivas, buscando sempre o melhor para a criança, desde a primeira infância, garante.O resultado positivo, acredita o prefeito, vem de um trabalho harmonioso realizado em conjunto pelas secretarias municipais do Bem-Estar Social, Educação, Saúde e Meio Ambiente.Em 2001, Nilson Costa acredita que a cidade deverá obter melhor colocação no ranking do Unicef, em razão das medidas adotadas por sua administração neste semestre. Entre elas, o prefeito lista a implantação do Programa de Cesta Básica Infantil, que contribui para a redução da mortalidade, e o Projeto Sorriso, que visa promover a saúde bucal entre crianças e adolescentes.Com as medidas que estamos adotando, vamos melhorar ainda mais as condições da infância na cidade em 2001. A divulgação da colocação de Bauru no ranking do Unicef, que é uma instituição respeitada mundialmente e com trabalhos significativos à humanidade, indica que aqui é um lugar bom para se viver e isto imprime uma imagem positiva do município, conclui.