08 de julho de 2026
Geral

PRIVATIZAÇÕES E PRIVATIZAÇÕES

André L. P. de Oliveira Pinto
| Tempo de leitura: 2 min

Após o amplo processo de privatização empreendido nos últimos anos no Brasil, podemos observar exemplos de sucesso e de fracasso, casos de entusiasmo com as melhorias e casos de frustrações e decepções em outras áreas. Enquanto alguns alardeiam as atuais facilidades para obtenção de alguns produtos e serviços privatizados, outros sentem na pele a falta de compromisso social e um certo descaso das concessionárias de serviços públicos. Qualquer análise mais profunda dependerá de um prazo maior e dos futuros resultados do processo de desestatização, pois não basta uma simples olhadela superficial para entoarmos loas pró-privatização ou a condenação pela simples condenação.Entretanto, no caso da privatização da RFFSA, o fator tempo já é uma variável mais ponderável, e neste caso podemos observar os prodígios que a iniciativa privada produziu, mais especificamente nas malhas que cortam o estado de São Paulo. Os investimentos previstos nos contratos não estão sendo cumpridos, a via permanente sem a manutenção adequada multiplica o número de acidentes e os equipamentos sucateados apodrecem nos pátios de diversas estações, provocando quase que a total inviabilidade do transporte ferroviário.Se já não bastassem as condições extremamente favoráveis proporcionadas para a compra do patrimônio público nos leilões, agora no momento dos primeiros pagamentos dos contratos de arrendamento, essas obrigações financeiras simplesmente não são cumpridas, visando pressionar o governo para renegociar prazos, conceder novos empréstimos e benesses. Ou seja, aqueles que simplesmente sentem ojeriza pela presença interventora do Estado na economia, quando não conseguem gerir seus empreendimentos com qualidade e rentabilidade, vão bater na porta do Estado com o pires na mão, alegando impossibilidade de cumprir regras e metas.Como diz um amigo, existem privatizações e privatizações, será? Que o caso das ferrovias, para o bem da população consumidora dos serviços recém-privatizados, torne-se exceção e não regra. (André Luiz Pereira de Oliveira Pinto - alpop@ig.com.br)