08 de julho de 2026
Geral

Setor de seguros deve mudar no País

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Jorge Brazil, diretor do Santander, diz que a presença de operadoras internacionais influenciará o mercado brasileiroGrandes movimentos no mercado de seguros irão ocorrer no próximo ano, com a presença de operadoras internacionais de resseguro e de grandes companhias seguradoras. A análise é de Jorge Abel Peres Brazil, diretor executivo da divisão de seguros do banco Santander, novo controlador do Banespa. Ele esteve em Bauru, ontem, para uma reunião de negócios. De acordo com Brazil, existia uma forte estimativa em relação a um processo de transformações no setor de seguros para o ano 2000, a partir da perspectiva da abertura de mercado e da queda do monopólio do Instituto de Resseguros Brasileiro (IRB), no ano passado. Porém, isso não aconteceu e, conseqüentemente teriam ficado represadas todas essas expectativas para 2001. Acredito que, no próximo ano, essas mudanças deverão estar ocorrendo de uma forma bastante perceptível ao público, com a chegada de grandes seguradoras internacionais no País, diz o diretor executivo. Já as expectativas do Santander no Brasil, no que diz respeito à área de seguros, são das mais positivas, segundo ele. Todas as conseqüências das recentes aquisições do banco no País (que adquiriu os bancos Geral, Noroeste, Meridional e Bozano Simonsen juntamente com as quatro respectivas seguradoras) - bem como a subida para a terceira colocação entre os maiores bancos brasileiros com a compra do Banespa -, irão ocorrer também no setor de seguros, segundo Brazil. Com a aquisição do Banespa, o grupo de serviços financeiros Santander, tanto como banco quanto como seguradora, passou de um competidor de médio porte para um de grande porte. Todas as conseqüências da conquista da terceira colocação do Santander dentro do mercado brasileiro deverão estar ocorrendo também em nível de seguros, avalia Jorge Brazil. O diretor executivo do Santander também destaca a função de operador de varejo do banco na área de seguros. Como seguradora, não somos uma empresa que opera com grandes riscos; somos uma seguradora de varejo. Ou seja, operamos com todos aqueles produtos que estão diretamente ligados com as pessoas, como seguro de vida, capitalização, previdência, residencial, de automóveis, para pequenas e médias empresas, entre outros. Isso é uma decisão estratégica do grupo, diz Jorge Brazil. De acordo com ele, são grandes as expectativas do grupo em relação ao crescimento das atividades e de posicionamento do banco no setor de seguros no Interior de São Paulo, que é o segundo maior mercado segurador brasileiro em termos de potencial de desenvolvimento. Segundo o diretor executivo do banco, atualmente, o Santander conta com 250 mil segurados. Com a aquisição do Banespa esses números devem mudar em breve. Questionado sobre a Previdência Social - setor para o qual a privatização vem sendo discutida há bastante tempo pelo Governo Federal - Jorge Brazil diz que esse assunto também gera grandes expectativas. O fato de se iniciar um processo de privatização do sistema de Previdência, que é um assunto em discussão pelo Governo brasileiro e que já é uma realidade em diversos países da América Latina, justamente pela falta de habilidade do Estado em administrar isso de uma maneira empresarial e rentável, causa expectativas em nível internacional. Trata-se de um setor que agregaria extremo valor ao mercado seugurador. Eu diria que saltaríamos do nosso tradicional patamar de cerca de 2,6% do PIB (Produto Interno Bruto) para um patamar respeitável como um mercado segurador maduro de 5% do PIB, analisa Jorge Abel Peres Brazil.