O que fazer com frutas e legumes que já passaram do ponto para a venda in natura ao consumidor? Muitos produtores, sem saber qual destinação dar aos produtos amadurecidos demais, acabam transformando-os em alimento para os animais da propriedade. Mas, um casal de agrônomo de Bauru, notando a potencialidade de um mercado pouco explorado no País, está investindo no reaproveitamento da produção. Eles estão desidratando as frutas e legumes e vendendo ao mercado como produto industrializado.Ricardo Agostinho Paschoal e sua esposa, Maria Cecília Vasconcelos Paschoal, ambos formados pela Universidade Federal de Lavras, descobriram um filão pouco explorado no Brasil e estão conquistando as grandes redes de supermercados com sua produção. Maria Cecília conta que, quando eles deram início à agroindústria, só trabalhavam com bananas. Nós trabalhávamos com extensão no campo e percebemos que o maior problema para o produtor rural é a comercialização. Muitos produtos acabam se perdendo. Resolvemos achar uma solução prática para isso, conta.Nesses quatro anos de existência da empresa, o casal foi aperfeiçoando técnicas e ampliando a gama de produtos. Atualmente, a Tropical Passas produz, além da banana, tomate seco, pêra, maçã, abacaxi, damasco, ameixa, mamão, uva, macadâmia, tomate, alho e cebola. A produção mensal está na casa de cinco toneladas, que são facilmente distribuídas pelas grandes redes de supermercados do País. Nós somos praticamente pioneiros na produção em grande escala desse tipo de fruta, explicou Maria Cecília.Processo caroPara dar conta de todo o trabalho da fábrica, Maria Cecília e Ricardo têm apenas três funcionários. Quando os pedidos aumentam muito, eles contratam mão-de-obra diarista. A máquina faz o processo de desidratação, mas nossa principal ferramenta é o ser humano, salientou a agrônoma. Isso porque ainda não existe nenhum equipamento realmente eficiente para descascar as frutas e selecionar os melhores exemplares para a produção. O trabalho é bem artesanal mesmo, frisou.Ao chegar à fábrica, as frutas são lavadas em um recipiente próprio para esse tipo de serviço. Se não estiverem suficientemente maduras para a operação, elas vão para uma câmara fria, onde é acelerado o processo de amadurecimento.Em seguida, são descascadas e levadas à máquina de desidratação que foi desenvolvida pelos próprios agrônomos. O processo não leva nenhum tipo de conservante, açúcar ou qualquer outra mistura. É tudo natural mesmo, afirmou Maria Cecília.Depois de um período dentro do desidratador, as frutas ou legumes são checados um a um, para verificar se estão no ponto de umidade correto. Os que ainda não atingiram o ideal, voltam para a máquina.O trabalho parece simples. Mas, o que acaba encarecendo o produto é o preço in natura. Em média, 14 quilos da fruta natural equivale a um quilo da fruta seca. O custo acaba sendo elevado para nós, disse a empresária.Para tentar solucionar esse problema, o casal está apostando em uma linha de crédito a ser aberta para o produtor pelo Banco do Brasil, a partir do ano que vem. O financiamento deverá baratear o custo do produto para os empresários. Hoje nós compramos de vários fornecedores diferentes. A idéia é fechar uma parceria constante com determinados agricultores e negociar preço através desse financiamento, salientou.Apesar de ter crescido 7% neste ano, o mercado para frutas secas ainda é considerado restrito no Brasil. Maria Cecília conta que os brasileiros não possuem o costume de comprar esse tipo de produto. Ela garante que não há perda de nutrientes durante o processo de desidratação, exceto vitamina C. A vantagem do processo é que ele concentra os nutrientes, aumentando consideravelmente o valor nutritivo das frutas e legumes. E tem mais: não engorda, destacou.