07 de julho de 2026
Geral

Dormir mal pode causar doenças

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

A falta ou o excesso de sono podem ser fatores para o desenvolvimento de diversos distúrbios que estão relacionados ao fato de dormir malO sono está diretamente ligado a todas as funções do organismo do ser humano e, quando não se consegue dormir bem por algum motivo, o corpo responde desencadeando doenças que, muitas vezes, as pessoas não descobrem a causa. É importante estar atento a todos esses distúrbios e sempre procurar um médico para orientação e provável tratamento. Veja nesta página alguns distúrbios do sono.Tradicionalmente, aceitava-se o roncar durante o sono como uma fatalidade intratável. Além disso, como algo banal, inocente, inócuo. A verdadeira face do ronco talvez seja a de um sinal de alerta, de um fator de risco, de um indicador do estado neuromuscular do paciente. Evitar a tirada humorística representa o primeiro passo para o entendimento de sua complexidade.O fenômeno central para o surgimento do ronco consiste na garganta flácida. O tono se reduz, levando progressivamente ao contato das paredes que gera vibração e o ruído característico. O sono, além de provocar relaxamento muscular, altera a coordenação entre as contrações do diafragma e dos músculos da garganta.Normalmente, a inspiração inicia pelos músculos da asa do nariz e propaga-se pela faringe, laringe e parede torácica, até alcançar o diafragma. Suspeita-se que os roncadores sofram uma perda dessa coordenação herdada geneticamente.Pode-se classificar o ronco em graus:ronco suave, que cessa ao deitar de lado.ronco intenso, em qualquer posição.ronco estrondoso, que se ouve em toda casa, entrecortado por apnéias. Em recenseamento da população da República de San Marino observou-se que dos 23 mil habitantes entre 2 e 80 anos, 19% roncava habitualmente. Os homens roncam mais, 25 %, e as mulheres menos, 15%. Após os 35 anos, a prevalência aumenta com a idade até a faixa de 60 anos para depois decrescer nos homens ou manter-se estável nas mulheres. A redução na porcentagem de roncadores após os 60 anos pode indicar excesso de mortalidade entre os homens roncadores. Três estudos comprovaram que o roncar no sono aumenta em torno de duas vezes o risco de desenvolver hipertensão arterial e doença vascular coronariana e cerebral.TratamentoO tratamento do ronco pode ser bastante simples. Para os casos iniciais, a mudança de posição pode ser suficiente. Uma bola de tênis, ou outro objeto, costurada nas costas do pijama impede que a pessoa deite de barriga para cima. Evitar álcool e refeições pesadas antes de dormir pode resolver o problema por algum tempo. Medicamentos e aparelhos podem ser necessários nos graus mais avançados de ronco.Síndrome das pernas inquietas Distúrbio caracterizado por sensações desagradáveis nas pernas, usualmente antes do início do sono, que causa uma urgência quase irresistível de mover as pernas. A queixa de sensação desagradável nas pernas a noite causa dificuldade de iniciar ou de reiniciar o sono. A sensação desagradável pode ser semelhante a de formigamento dentro das panturrilhas (barriga da perna) freqüentemente associadas com mal-estar ou dores difusas, generalizadas nas pernas. O desconforto é aliviado por movimento dos membros. NarcolepsiaÉ o distúrbio do sono conhecido há mais tempo. Foi descrito por Gelineau em 1881 e até hoje desconhece-se sua causa.Caracteriza-se por sonolência excessiva associada a cataplexia e outros fenômenos do sono REM tais como paralisia do sono e alucinações hipnagógicas. A sonolência é muito intensa, incapacitante. Cochilos diurnos recorrentes ou sono involuntário acontecem diariamente em qualquer situação. Cataplexia é uma perda súbita do tono dos músculos posturais desencadeada por uma emoção intensa como riso, raiva ou medo. A pessoa pode cair ou apenas sentir-se fraca.Higiene do sono inadequada Esse distúrbio do sono surge devido à atividades da vida diária que são incompatíveis com a manutenção de sono de boa qualidade e alerta completo diurno. A queixa pode ser tanto de insônia como de sonolência excessiva. Alguns maus hábitos que justificam esse diagnóstico são:horários variáveis de deitar e levantar; permanecer períodos freqüentes e longos na cama; uso rotineiro de produtos contendo álcool, tabaco ou cafeína antes de deitar; Síndrome de sono insuficiente Distúrbio que ocorre em um indivíduo que persistentemente deixa de obter sono noturno suficiente para suportar a vigília em alerta normal. O indivíduo terá queixa de sonolência excessiva ou, em crianças antes da puberdade poderá haver a dificuldade de iniciar o sono. O período habitual de sono será mantido, voluntariamente, menor que a duração esperada para idade do indivíduo. Pessoas privadas de sono por preparação para exames, campanhas políticas não devem ser classificadas nessa síndrome. Terror do sono É caracterizado por um despertar súbito de sono de ondas lentas com um grito ou choro, acompanhado por manifestações de medo intenso. Os episódios usualmente ocorrem dentro do primeiro terço da noite e acontece amnésia total ou parcial dos eventos durante os episódios. PesadelosSão sonhos assustadores que usualmente interrompem o sono subitamente por um medo intenso, ansiedade e sentimentos de perigo iminente. A pessoa tem lembrança imediata do contexto assustador do sonho e está completamente alerta logo após o despertar, com pouca confusão ou desorientação. O retorno ao sono, após o episódio, é retardado e não rápido como no terror no sono.Os pesadelos acontecem mais durante a segunda metade do período de sono. O sonho em geral é longo e o medo crescente. A longa narrativa permite diferenciar facilmente pesadelos de terror no sono.