Próximos de conquistar a liberdade, os presos do Instituto Penal Agrícola de Bauru (IPA) estabelecem suas próprias regras para a boa convivência dentro do presídio. Não reclamam da superlotação e até constróem suas próprias camas. A maioria deles é da Capital. Não deixar cair comida no chão, durante as refeições, é uma das normas que deve ser respeitada por todos, explica o diretor administrativo, Armando Antônio de Oliveira. Segundo ele, os presos estabeleceram a regra para não prejudicar quem trabalha na faxina e na cozinha. Quando um deles derruba comida no chão significa mais trabalho para aquele que faz faxina.Tomar banho e deixar o banheiro zoado, na linguagem dos presidiários, é sinal de falta de respeito. O preso deve deixar o banheiro limpo para o outro usar. Quem não obedece é repreendido pelos seus companheiros.Respeitar os pertences do outro é a principal norma estabelecida entre os detentos. Os armários são pequenos e algumas coisa ficam para fora. Um não pode mexer nas coisas do outro.O descanso é sagrado para o preso. Por isso, o silêncio deve prevalecer, a partir de certa hora, estabelecida por eles. Na linguagem dos presidiários, a bagunça chama a atenção da polícia e pode sobrar bronca até para quem não merece. A polícia no presídio é o agente penitenciário que faz a ronda.Oriundos de famílias menos abastadas, os presos do IPA, em sua maioria, cumpriram apenas o ensino básico. Eles começam a estudar aqui. A partir do próximo ano, teremos o Telecurso, uma parceria que fizemos com o Senai. O trabalho para os detentos em final de pena é mais que uma terapia, mas a promessa de uma vida melhor, fora da marginalidade, explica o diretor. Não são todos que pedem para trabalhar. Aqueles que não estão a fim de mudar de vida, nem se candidatam. Mas, aqueles que desejam aprender uma profissão e mudar de rumo, tentam de todas as maneiras conseguir trabalhar.O preso que trabalha, na opinião do diretor, convive melhor no presídio.Ele não quer confusão porque corre o risco de perder o emprego que, para ele, significa mudança de vida.Além de conviver melhor com seus companheiros, o preso trabalhador não tenta abandonar o presídio. O índice de abandono entre os que trabalham fora é zero. Antigamente, eles abandonavam, hoje não fazem mais isso. O bom comportamento no trabalho é visto com bons olhos pela Vara de Execuções, no momento de conceder benefícios.Aos presos são reservados trabalhos em 13 empresas. São empresários que resolveram dar uma oportunidade ao presidiário. No interior do IPA há trabalho na horta e pocilga.O aumento da número de presos no serviço também é sinal de mais serviço na marcenaria. São eles quem constróem suas próprias camas.Depois dos 30Segundo o diretor, a população carcerária do IPA é jovem. São homens de 20 a 35 anos, fortes e bem tratados, chegam de presídios fechados onde se alimentam bem.De acordo com o diretor, quando os detentos atingem a faixa etária dos 30 anos ainda no presídio semi-aberto, querem abandonar a bandidagem. Antigamente, eles demoravam mais para tentar mudar o rumo de suas vidas, por volta dos 40 anos. Atualmente, eles acordam aos 30 anos. Os filhos e a família influenciam muito na decisão dos detentos.A visita constante com os familiares e o apoio dos parentes são primordiais para a conscientização do preso. Aqueles que contam com esse apoio dificilmente voltam a delingüir.