09 de julho de 2026
Geral

Audiência pública discutirá a Novoeste

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Bancada de senadores e deputados federais do Estado do Mato Grosso do Sul está preocupada com situação crítica da ferroviaA situação da Ferrovia Novoeste S/A - operadora do trecho ferroviário Bauru-Corumbá - vai ser discutida por senadores e deputados federais em audiência pública. A informação é do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru e Mato Grosso do Sul, Roque Ferreira. A data da reunião deverá ser marcada nos próximos dias pela Comissão Nacional de Transportes e Viação do Congresso Nacional.A direção da empresa será convocada oficialmente para comparecer à audiência. Senadores e deputados federais querem uma explicação, por parte do comando da ferrovia, sobre a falta de investimentos na malha e os motivos do atraso no pagamento do contrato de concessão, que já gerou uma dívida de R$ 8,7 milhões com a Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA).Segundo Ferreira, o desenvolvimento do Mato Grosso do Sul está vinculado à ferrovia, que fincou seus trilhos naquela região no início deste século. Mesmo com toda precariedade técnica e operacional da Novoeste, a economia daquele Estado depende dessa estrada de ferro para transportar as safras de grãos em direção aos portos e pólos industriais. Também são dos trilhos que chegam boa parte dos combustíveis derivados de petróleo, como óleo diesel e gasolina.Os senadores e deputados federais sul-matogrossenses querem saber da direção da ferrovia sua capacidade de absorver a demanda de transporte que será gerada a partir da instalação de um pólo industrial de cimento, em Corumbá. A cidade, localizada na fronteira do Brasil com a Bolívia, já abriga companhias que fabricam o produto. O objetivo do pólo é aumentar a produção de cimento.Dinheiro públicoO sindicalista está denunciando que o Governo Federal, através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), está liberando investimentos para as operadoras ferroviárias. Ferreira não concorda com esses financiamentos públicos. Na época da privatização das ferrovias, o governo justificou que estava concedendo as malhas à iniciativa privada porque não tinha capacidade de investir recursos na recuperação das redes. Ora, nos últimos dois anos, o BNDES, que é do governo, liberou cerca de R$ 700 milhões para as operadoras ferroviárias, criticou.Segundo ele, no último dia 6, o banco estatal liberou R$ 244 milhões para a Ferrovia Centro Atlântica (FCA). Outros R$ 200 milhões estão em estudos. A Ferronorte, que é administrada pelo mesmo grupo da Novoeste, está pleiteando R$ 230 milhões, informou.O sindicalista afirmou que não tem dúvidas de que a situação financeira e operacional da Novoeste é crítica, mas defende que os grupos responsáveis pela ferrovia façam os investimentos necessários para a recuperação da malha Bauru-Corumbá. Financiar a recuperação da ferrovia privatizada com dinheiro público fere os interesses da população, finaliza.