08 de julho de 2026
Geral

PT defende Câmara com independência

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

A Câmara Municipal de Bauru vive oportunidade histórica, e única, de ter uma Mesa independente do Poder Executivo. A avaliação é do vereador José Carlos Pereira Batata (PT), defensor da desvinculação dos dois Poderes. Ainda tenho esperanças de que isso aconteça, afirma.Para Batata, o presidente do Legislativo deve ser independente para mostrar à população que a Câmara tem desenvoltura para ser muito mais do que um simples cartório, pecha que lhe foi atribuída nos últimos oito anos em função de seu atrelamento ao Executivo.A Câmara, nos dois últimos mandatos, principalmente de Antonio Tidei de Lima, ficou praticamente atrelada ao Executivo e isso foi extremamente danoso ao Legislativo. Por essa razão, sem dúvida, tivemos nossa credibilidade arranhada, avalia o vereador.Em função da defesa da independência, Batata não assumiu compromisso com nenhum dos candidatos à presidência. Dentre os três presidenciáveis, o petista já foi procurado por Luiz Carlos Valle (PDT). A desenvoltura das candidaturas restantes, de Walter Costa (PPS) e João Parreira de Miranda (PDT), diz estar acompanhando pelas páginas do jornal.O próprio Batata comenta que gostaria de ser candidato à presidência, mas não esconde que há um espaço grande a ser percorrido até a concretização do sonho. Preciso ter os pés no chão. Não tenho bancada de sustentação, o que reduz minhas chances de ser presidente, mas gostaria de participar da Mesa da Câmara, desde que houvesse um projeto político concreto, argumenta.Por projeto político, o petista entende a elaboração de planos de ação que culminem no resgate da credibilidade da Câmara. Por causa dos processos de cassação, nossa credibilidade foi arranhada. Precisamos demonstrar aos bauruenses que temos autonomia e podemos discutir o futuro da cidade. Na minha opinião, quem deseja ser presidente do Legislativo precisa propor alternativas de crescimento para Bauru, defende.Um desses projetos, acredita, passa pela implantação do Programa de Renda Mínima, lei de sua autoria aprovada em 1996. Pelo projeto, famílias de baixa renda, com filhos de 7 a 14 anos de idade, matriculados na escola pública e com 90% de freqüência, receberiam ajuda de custo mensal da Prefeitura no valor de um salário mínimo.A lei prevê, ainda, que as famílias atendidas pelo programa tenham acompanhamento psicológico e assistencial, como forma de garantir a reinserção no mercado de trabalho. Até o momento, nenhum prefeito acenou no sentido de implantar a lei, que poderia promover o crescimento da cidade, avalia Batata.Além da disputa pela presidência da Câmara Municipal, o vereador acompanha de perto a sucessão ao governo paulista. Batata tem participado, na medida do possível, das reuniões de apoio à campanha do deputado José Genoíno ao governo do Estado. Quando não posso, Estela (Almagro, presidente do diretório municipal do PT) me traz informações dos encontros, conta.De olho em 2002, Batata torce ainda para que Luís Inácio Lula da Silva seja escolhido o candidato do PT à presidência da República. Independente de Eduardo Suplicy e Cristóvão Buarque, Lula é o meu candidato. A desenvoltura dele, no entanto, dependerá do desempenho de Fernando Henrique Cardoso. Uma coisa puxa a outra, diz.Se em nível macro a sucessão é incerta, na Câmara Municipal o processo eleitoral não é diferente. A eleição para a presidência é truncada e é muito fechada, o que dificulta qualquer tipo de previsão, analisa Batata. Em razão de tamanha incerteza é que o petista avalia ser ainda possível eleger uma Mesa independente. Mas tudo depende de projetos, volta a afirmar.