07 de julho de 2026
Geral

Saudade e lembrança....

(*) Ercília Pollice
| Tempo de leitura: 2 min

Fim de ano! Tempo de reflexão. Tempo de acertos. Tempo de planejar.E neste frigir dos ovos, nossas cabeças voam alto... Nossos pensamentos caem num redemoinho de coisas passadas, coisas presentes e sonhos futuros.Sim, porque por mais que a vida tente nos roubar as alegrias, e por mais difíceis que tenham sido os dias do ano que passou, todos nós, sem exceção, jamais deixamos de planejar coisas boas, prazerosas e felizes para o ano que vai se iniciar. O ser humano tem uma coisa maravilhosa dentro de si, que o impede a querer ser feliz custe o que custar, seja a que preço for. Não desistiremos jamais.E, nesse rememorar de dias passados e planejar dias futuros veio à minha mente, o que seria saudade e o que seria lembrança. Pode aos menos avisados parecerem palavras sinônimas, mas acabei por concluir, que não são não!Podem até ter semanticamente significados iguais, mas ao coração, são diferentes no sentir. Lembrança vem da memória, da evocação de um cheiro, uma música, um lugar, uma cor.Saudade surge sozinha, como se fosse do nada, pelo menos de um nada aparente. Emerge do fundo da alma e nos toma de sobressalto e.... dói, como dói!Se a lembrança for boa curtimos relembrá-la, ficamos a reconstruir cenas, imagens, fatos... se for ruim, logo a afastamos e a trocamos por algo mais prazenteiro e alegre.Lembranças, boas ou más sabemos localizá-las, mas a bendita da saudade, é um sentimento que não podemos explicar, de algo que muitas vezes nem sabemos o que seria, e nem detalharmos lhe o porquê.Saudade não dá para apagar jamais, ela até se permite coexistir com outro amor, com outras coisas, ou com outros lugares, mas é teimosa feito menina mimada. Consegue coexistir sem machucar o novo nas nossas vidas, mas não nos abandona, permanece lá e de repente surge!Saudade é coisa esquisita, pode bem ser de coisas que nem aconteceram, mas que nossa alma ansiou um dia... saudade de possibilidades! Pode parecer maluquice, mas não é.Pense em quantas ocasiões você sentiu saudade de uma coisa que nem sabe o que seja. E como o peito ficou apertado, doendo, insatisfeito, querendo pôr para fora algo que nem detectamos o leit motiv o motivo maior... talvez acontecimentos impregnados na ancestralidade, na nossa genética, nos nossos arquétipos!Lembrança pode ser contada, contabilizada, mensurada... ao gosto dos cartezianos.Mas a saudade... ah! a saudade... ela é coisa para poetas, sonhadores, românticos. Isto me traz à memória uns versos de minha adolescência... versos esses que usávamos escrevê-los nos cadernos de recordações dos amigos... coisas de antigamente...O autor popular destes versos não era conhecido, não pertencia a nenhuma academia, não tinha livros publicados, mas acho que sabia das coisas...Pelo menos das coisas do coração! Saudade que ainda espera,Não é saudade, é lembrança...Saudade só é saudade,Quando não tem esperança!!! Feliz Natal!(*) Ercília Ferraz de Arruda Pollice é escritora/ poeta/ membro da Academia Bauruense de Letras/ colaboradora de Ju Machado - Escritório de Arte