Empresa estava em processo de concordata e era uma das principais fabricantes de carrocerias de ônibus do BrasilBotucatu - A Companhia Americana Industrial de Ônibus (Caio) teve ontem sua falência decretada. A sentença foi anunciada no final da tarde pelo juiz da 3ª Vara, Ítalo Morelle, que determinou também a lacração da fábrica. No início de 1999, a Caio teve a concordata preventiva autorizada pela Justiça. A falência atinge também a filial da empresa, instalada no Ceará. Ontem mesmo, o juiz anunciou os nomes de Orlando Pampado e Eduardo Meira Coelho, ambos de São Manuel, como os síndicos que irão administrar a massa falida.Embora não tenha sido uma grande surpresa para os cerca de 850 funcionários, a notícia não deixou de causar tristeza e preocupação. Num processo de falência, os bens da empresa são vendidos para pagamento de credores e funcionários, estes últimos com crédito privilegiado.Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, os salários já estavam atrasados, em alguns casos em até quatro meses e não havia muita perspectiva de se receber o 13º salário.Os funcionários da fabricante de ônibus de Botucatu chegaram a iniciar um movimento grevista no final da semana passada, depois de receberem R$ 150. Os trabalhadores teriam se revoltado com o valor, já que a maioria está com os salários atrasados. Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu, José Carlos Lorenção, os empregados chegaram a paralisar a produção de nove ônibus, cuja entrega estava prevista para o início desta semana. A diretoria da Caio já havia determinado a paralisação da linha produção, desde à meia noite de ontem, alegando que a interrupção seria oportuna para não agravar ainda mais o problema de recursos salariais para os funcionários e também para os fornecedores.Cerca de 850 funcionários estão parados. Os donos da empresa não foram encontrados para falar sobre o assunto ontem. Em nota divulgada, a assessoria da empresa que presta consultoria à Caio, informou que tendo em vista que a partir de janeiro começam a vencer as promissórias, a empresa não teria condições de honrar todos os compromissos. Há ainda, segundo a assessoria, a possibilidade de negociação com grupos de investidores. Ainda segundo a assessoria, nos últimos 18 meses, os acionistas da Caio vinham desenvolvendo esforços com a finalidade de manter as atividades da empresa com o objetivo de preservar os empregos e manter o equilíbrio da oferta do mercado de ônibus. Apesar de todo o apoio de seus colaboradores, fornecedores e clientes, a fragilidade financeira com que a Caio se encontra, impossibilita a continuidade de suas operações. A Caio era uma das principais fabricantes de carrocerias de ônibus do Brasil. Chegou a ter quase 3 mil funcionários e a produzir 25 ônibus por dia. Já foi a maior da América Latina.