A Unesco considera o Centro Histórico de Paraty o conjunto arquitetônico mais harmonioso do século XVIII. Mas a cidade reserva muito mais ao turistaA imagem que vem à cabeça quando se fala em Paraty é bucólica: a igrejinha, as casas e sobrados em estilo colonial, o mar e a mata atlântica a emoldurar a cena. Um cartão postal reproduzido inúmeras vezes pelos turistas que chegam àquele quadrilátero de ruas sinuosas e estreitas, de paralelepípedos, lembrando um povoado antigo, como se o tempo lá tivesse parado.Mas Paraty reserva muito mais aos visitantes que não podem perder os inúmeros passeios náuticos oferecidos por empresas especializadas, envolvendo mergulho, pesca, caça submarina ou simplesmente um belo dia ensolarado numa praia deserta. Por toda a Baía de Paraty circulam lanchas e veleiros de 18 a 80 pés que oferecem diferentes opções de roteiros, envolvendo até mesmo charters com pensão completa (café da manhã, almoço e jantar) por cerca de R$ 60,00 por pessoa.Na alta temporada que vai até fevereiro, o cais fica repleto, pela manhã, de pessoas à procura desses passeios. Geralmente casais jovens que vão a Paraty por vários motivos: curtir o conjunto arquitetônico mais harmonioso do País, hospedando-se em suas pousadas onde a culinária ocupa capítulo especial, ouvir o melhor do jazz nas noites calientes dos bares carregados de charme do centro histórico e curtir seus recantos naturais.A cidade que faz divisa com São Paulo - fica distante 77 km de Ubatuba - atrai gente do mundo todo. Os atores Paulo Autran e Maria Della Costa a descobriram há várias décadas. Gostaram tanto que foram pioneiros na construção de pousadas de categoria para hospedar outros famosos. Foi um passo para Paraty aparecer em filmes, reportagens, propagandas, incluindo um videoclip com Mick Jagger que a projetou no mundo nos moldes do que Brigitte Bardot fez com Búzios nos anos dourados.Dizem seus moradores que Paraty hoje é a casa de plebeus e príncipes, de artistas plásticos, jornalistas, de amantes da natureza, de hippies chiques atraídos em algum momento da vida pela beleza dessa cidadezinha colonial que obriga a todos a andarem por suas ruas como na época de sua fundação: vagarosamente. O caminhar pelas pedras pés-de-moleque merece então toda a atenção do visitante que pode observar a beleza de seus casarões e igrejas e os misteriosos símbolos maçônicos expostos em suas paredes. Aliás, a maçonaria exerceu grande influência na cidade, inclusive na formação de seu centro histórico. As ruas foram todas traçadas do nascente para o poente e do norte para o sul, com um entortamento estratégico que tanto defenderia a cidade do ataque dos piratas como também dos ventos encanados que, acredita-se, trariam doenças. Todas as construções das moradias eram regulamentadas por lei, pagando com multa ou prisão, quem desobedecesse as determinações. O símbolo da maçonaria, o triângulo, em relevo, recebia também toda a atenção, fazendo parte das fachadas imponentes que deram lugar a monumentos hoje abertos ao público como o Museu de Artes Sacra, o Museu do Forte Defensor Perpétuo, a Pinacoteca Antônio Marino Gouveia.