Marília - A greve no Hospital das Clínicas de Marília entra hoje no 16º dia, sem perspectivas de um acordo. O clima entre funcionários e pacientes é de total apreensão. Nos demais hospitais da cidade, a preocupação não é menor já que estão com a capacidade de atendimento no limite. Até ontem, apenas serviços essenciais eram mantidos em funcionamento, como UTIs, hemodiálise, radioterapia e a urgência e emergência.No começo da semana, o comando de greve chegou a divulgar a possibilidade de paralisação desses serviços tidos como essenciais, mas não encontrou amparo legal para a decisão. A informação chegou à Secretaria de Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento Econômico que por sua vez fez uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho. Então, o procurador do Ministério Público do Trabalho, Rogério Rodrigues de Freitas, foi anteontem a Marília para checar a informação sobre o provável fechamento das UTIs e atendimento de emergência nos hospitais ligados à Faculdade de Medicina (Famema).Freitas, que atua como procurador junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas, visitou os hospitais acompanhado do promotor da Cidadania, de Marília, Washington Luiz Lincoln de Assis. Freitas disse ter constatado que os hospitais estavam trabalhando com deficiência sim, mas os setores de urgência e emergência funcionando como determina a lei, em caso de greve. Mesmo assim foi firmado um termo de compromisso onde, perante a Justiça, os funcionários se comprometem a manter o serviço essencial, enquanto a questão não for normalizada.No termo consta aplicação de multa diária de R$ 151,00 para as entidades caso o compromisso seja rompido. A diretoria aguarda o julgamento da greve. Caso o movimento seja considerado ilegal, o atendimento deve voltar ao normal. O procurador do Trabalho disse que os funcionários denunciaram atraso no pagamento de salários e falta de verbas também para remédios e insumos, o que será investigado pela Promotoria em Marília. Freitas lembrou que greve é um direito legal dos trabalhadores. Só intervimos em caso de ameaça de paralisação de serviços essenciais, onde há risco de vidas. Esses têm que funcionar 100% indiscutivelmente.Ontem, o presidente da Associação dos Funcionários Não-Universitários da Famema (Apuf), Luís Carlos de Paula e Silva, estava em São Paulo, acompanhando votação na Assembléia Legislativa, na expectativa de que fosse votada emenda ao orçamento, prevendo suplementação de verba para a Famema.O Hospital das Clínicas atende cerca de 500 pessoas por dia e entra no 16º dia de paralisação sem perspectivas de negociação. A Famema administra, além do HC, a Unidade Materno Infantil, Oftalmológica, Hemocentro, creche O Castelinho e o Centro de Saúde e Escola. Com a continuidade da greve, o Hospital São Francisco de Assis, o Hospital Universitário (HU) e a Santa Casa de Misericórdia de Marília estão sobrecarregados no atendimento. O HU chegou a triplicar o número de atendimentos diários. A Santa Casa teve um aumento de cerca de 50% no número de atendimentos.