08 de julho de 2026
Geral

Papai Noel responde mais de 2 mil cartas

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

Foram mais de 2 mil cartas recebidas pelos Correios de Bauru e os pedidos mais comoventes foram atendidos Querido Papai Noel, meu nome é Lennon, tenho nove anos...Sou um menino bom e gostaria muito de ganhar uma cesta básica e uma bicicleta, porque meu pai ganha pouco e não pode comprar. Esse é um trecho de uma das cartas recebidas pela Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) de Bauru. O pedido de Lennon foi atendido pelos Correios. Um Papai Noel esteve na casa do garoto e presenteou sua família.Essa ação faz parte de um programa desenvolvido pelos Correios nessa época do ano. Todas as cartas recebidas recebem uma resposta do velhinho em um cartão padronizado e os pedidos mais comoventes são atendidos pela ECT com a colaboração de empresas da região, funcionários dos Correios e da população em geral.Todas as cartas são lidas por funcionários da empresa que trabalham nessa época do ano como assistentes do bom velhinho. Muitas vezes, esses funcionários se comovem com as cartas enviadas. Eles afirmaram que não são só crianças que enviam cartas, adultos também fazem seus pedidos. Em uma das cartas, uma mulher pedia saúde para poder continuar trabalhando e sustentar seus filhos.De acordo com a assessoria de imprensa dos Correios, a maioria das cartas são escritas com o propósito de pedir presentes. Mesmo assim, acabam por revelar o perfil de uma sociedade. Encontramos histórias comoventes que refletem a carência de significativa parcela da população, como mensagens que revelam, com o mais puro espírito infantil, a necessidade de paz e harmonia entre as pessoas, disse o assessor de comunicação dos Correios, Moacir do Valle Júnior.Lennon, um dos garotos contemplados pelos Correios, contou que ficou muito emocionado ao receber a visita do Papai Noel. Eu nem acreditei quando vi ele aqui na minha casa, disse. Ele e seus três irmãos receberam os presentes que pediram. Quem escreveu as cartas foi a avó, Luci Gobi Clemente. Ela contou que, em outros anos, fazia ceia de Natal para pessoas carentes, mas, depois de perder a filha, perdeu também seu comércio e, atualmente, não tem condições de ajudar ninguém. Sempre que podia, eu ajudava, dava cesta básica, mas agora nem um presentinho para os meus netos eu não posso comprar, então resolvi escrever as cartas para o Papai Noel. Foi uma bênção ele ter atendido nossos pedidos, contou emocionada. Eles ganharam duas bicicletas, um carrinho de bebê, um patinete, leite, cesta básica e algumas roupas para o bebê.Na casa, além das quatro crianças e a avó, vivem os pais dos pequenos. O pai vive de bico porque não consegue um emprego e a família passa muita necessidade. O bebê dorme em uma caixa de papelão e os outros em cômodos mal construídos e, quando chove, não tem condições de permanecer na casa.Um garoto felizNicolas Meireles de Souza, 8 anos, também escreveu uma carta para o Papai Noel. Ele vive apenas com sua mãe nos fundos de uma casa na Bela Vista. Sou um garoto feliz, essa é a afirmação que Nicolas fez questão de escrever para o bom velhinho.Ele pediu um jogo Banco Imobiliário e, quando viu o Papai Noel no portão de sua casa, não se conteve de alegria. Com os olhos cheios de lágrimas, Nicolas mostrou a resposta que recebeu dos Correios.Questionado sobre o que significa o Natal, o garoto não hesitou: Natal não é só Papai Noel, é aniversário de Jesus.A mãe de Nicolas, Maristela Meireles disse que se pudesse fazer um pedido a Papai Noel, pediria somente saúde para continuar cuidando de seu filho. Quero poder estar ao lado dele, vendo ele casar e conhecer, um dia, meus netos, disse.Bicicleta e rádioO carpinteiro, Altair da Silva, 46 anos, conhecido como Escurinho disse que tem bronca do Papai Noel. Não gosto muito dele porque, quando eu era criança, escrevia cartas pedindo uma bicicleta e um rádio dois tapes, mas ele nunca me respondeu, contou.Até hoje, Escurinho não tem bicicleta nem rádio e afirmou que se pudesse fazer novamente um pedido ao bom velhinho, pediria a mesma coisa. Ele ainda não me deu, então é claro que eu quero isso, disse.Ele vive num cômodo de uma casa e anda pelas ruas de Bauru tentando conseguir trabalho de carpinteiro. Além disso, recolhe papelão das ruas e vende para conseguir um pouco de dinheiro. Escurinho disse que não tem onde passar o Natal. Não sei o que vou fazer, é um dia como outro qualquer, afirmou.Sem família, ele espera que um dia possa ter sua bicicleta e seu rádio para ser feliz, além disso, quer ter saúde para continuar trabalhando e comprar comida.