09 de julho de 2026
Geral

Obstáculos tornam mais difícil a locomoção dos deficientes visuais

Redação
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A locomoção do cego é feita através do tato. Ele usa o tato das mãos e dos pés para andar de um lado para outro.O cego não tem nenhuma noção de direção a não ser usando o tato e, em alguns casos, a bengala. As calçadas de Bauru estão uma lástima. A minha mulher apelidou Bauru de Bauraco Sem Limites. Esta é a avaliação que o psicólogo, João Carlos Zanata faz das calçadas da cidade. Deficiente visual, ele diz que só pode fazer um passeio pelas ruas com a ajuda de um cicerone. Andar pelas calçadas da cidade é um drama para quem não enxerga.A cada 100 metros existe, pelo menos dois obstáculos, seja buraco, saco de lixo, degrau ou entulho. Para um deficiente visual isso é péssimo.O deficiente visual é vítima dos obstáculos nas calçadas, explica o psicólogo. Um amigo meu que também não enxerga estava acostumado a fazer o mesmo trajeto, de sua casa para o trabalho e vice-versa. Um dia ele foi trabalhar e no retorno encontrou um obstáculo na calçada. Evidentemente sem sinalização. Ele caiu e se feriu. O deficiente visual não tem condições de se locomover sozinho em Bauru.Na opinião de Zanata, falta conscientização da população. Vivemos numa comunidade que não respeita seus semelhantes. As pessoas deveriam pensar mais quando vão construir as calçadas. Os deficiente visuais e físicos fazem parte da comunidade e merecem respeito.Ele ressalta que a má conservação das calçadas gera problemas não só para os deficientes. Os idosos também sentem dificuldades para andar. Têm que desviar dos obstáculos e muitas vezes sofrem quedas. As crianças são vítimas constantes de quedas em calçadas mal construídas ou mal projetadas. Ele lembra que várias vezes sofreu ferimentos. Você passa por um determinado local e está tudo livre para andar. Meia hora depois, há vários obstáculos. Onde há construções, há areia, pedra, entulho, lixo e buracos. Outro problema apontado pelo deficiente visual é o estacionamento de veículos sobre a calçada. As pessoas estacionam sobre a calçada. Os deficientes visuais trombam com o veículo parado e sofrem ferimentos nas pernas, braços e até no rosto, conforme o caso.Na opinião de Zanata falta conscientização da população. A população precisa se conscientizar da importância das calçadas para os deficientes se locomoverem. Manter o passeio livre e limpo é uma questão de cidadania. Em Minas Gerais, conheci uma cidade onde as calçadas eram bem conservadas e os deficientes podiam se locomover tranqüilos. A Prefeitura precisa fazer sua parte que é fiscalizar, mas o munícipe também precisa ter consciência do seu papel.