Construir calçadas com rampas, grama e jardins é proibido por lei municipal, mesmo assim, a prática é comum em BauruAndar pelas calçadas de Bauru é como participar de um rally. É preciso ter tarimba para desviar dos buracos, poças dágua, areia, pedras, entulhos, árvores, postes, lixo, lixeira, degraus e até de veículos que além de ocuparem as ruas, usam os passeios. A prova é ainda, mais difícil para quem é portador de uma deficiência, seja visual ou física. Quem anda pelas calçadas sabe que tudo isso é verdade e que a cada passo podemos ter uma surpresa desagradável. Os donos de cães levam seus bichinhos para usarem as calçadas como privada. Uma verdadeira falta de respeito com o semelhante. Já, os fãs de Pittbull, usam as calçadas para o passeio e exposição de seus cães. Sem focinheira, os animais de estimação ameaçam os pedestres que ficam a mercê do dono do cachorro. Crianças, idosos e deficientes não têm espaço para caminhar nos locais dedicados a eles. O pedestre fica sempre em segundo plano e se locomover significa enfrentar desafios. Verdadeiras armadilhas são montadas em frente as residências impedindo o trânsito de pessoas, sejam elas deficientes ou não. O Jardim Bela Vista e o Vista Alegre, são os bairros que mais possuem ruas em declive e conseqüentemente aqueles que concentram maior número de degraus e rampas nas calçadas. Isso não significa que só nesses bairros é que o problema aparece. Na Zona Sul da cidade, quase que totalmente plana, os absurdos também ocorrem e já fizeram muitas vítimas, especialmente entre os praticantes de caminhada. A falta de conscientização dos profissionais que projetam as obras é uma preocupação que deve ser corrigida a partir do próximo ano, segundo a secretária de obras da Prefeitura, Maria Helena Regitano. Estamos planejando palestras e orientações para conscientizar, alertar os projetistas sobre a importância das calçadas.A engenheira frisa que os engenheiros, arquitetos e projetistas estão projetando a casa preocupados com os veículos e não com as pessoas. Eles estão preocupados com a entrada do carro. Não pensam no nível da rua. Fazem as casas lá em cima e quando vão fazer a calçada, criam uma rampa. Isso é proibido.Nos bairros mais antigos as calçadas estão mais corretas porque foram construídas na época em que a preocupação principal não era a entrada do carro. Hoje, a obra é feita com a garagem nivelada e uma rampa de acesso que avança sobre o passeio, impedindo e dificultando a passagem do pedestre.Esta é a segunda tentativa da Prefeitura em conscientizar os projetistas. Fizemos até uma cartilha, no ano passado, para orientar sobre a construção de calçadas. Mas, pouca coisa mudou depois disso. Percebemos que mesmo nas obras onde há arquitetos supervisionando, as calçadas são construídas fora do padrão normal. A lei municipal, segundo a secretária, determina que nos locais onde a guia for instalada, o morador deverá construir a calçada e mantê-la em bom estado de conservação. O piso não pode ser escorregadio. Ela lembra que em algumas cidades a construção dos passeios é executada pela prefeitura e cobrada, posteriormente do munícipe. O ponto positivo é a padronização, segundo Regitano. Fica a mesma linguagem, o mesmo piso em toda a cidade.A calçada, de acordo com o Código de Obras Municipal tem que ser lisa. Sem degraus, sem buraco e sem gramas entre placas de concreto. A calçada deve ser inteira do mesmo pavimento. A graminha, em termos de meio ambiente é até interessante, porque permeia mais água. Mas a lei não permite. A grama atrapalha os idosos, deficientes físicos e visuais. Eles tropeçam e andar com a cadeira de rodas é impossível, admite. A secretária adverte que tanto as rampas como os jardins devem ser construídos no limite do imóvel e não sobre as calçadas. Reclamações constantes De janeiro a dezembro de 2000, 1.329 pessoas registraram reclamações de mato alto em terrenos sem construções e 249 reclamaram da situação das calçadas. A Prefeitura autuou 368 munícipes, por falta de execução de serviço de capinação e limpeza. Outras 392 autuações foram feitas por falta de execução de reparos ou construção de passeios. Segundo a secretária, o número de fiscais é pequeno para cobrir a cidade toda. O serviço despende de muito tempo. Primeiro o fiscal vai até o local e constata o problema. Tem que localizar o proprietário e enviar notificação dando um prazo. Posteriormente, retorna para verificar se a situação se normalizou. Se o problema não foi corrigido, ele autua.