08 de julho de 2026
Geral

Férias: o que fazer com as crianças

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 5 min

Nessa época do ano é preciso encontrar alternativas para as horas vagas das crianças, inclusive as que ficam na crecheÉpoca de férias escolares costumam ser uma alegria para as crianças e motivo de grande preocupação para as mães que trabalham fora. Este é o momento no qual essas mulheres perdem a ajuda de creches e escola no que diz respeito aos cuidados com os filhos e precisam recorrer a alternativas para não ter que faltar ao emprego. No começo de janeiro, tanto creches municipais, quanto as ligadas à entidades sociais, entram em recesso. Algumas apenas por 15 dias, o que já é tempo suficiente para tirar o sono de muitas mães. É um período complicado, mas temos que aprender a lidar com ele, contou a secretária Maria Rosa Mariano Miano, mãe de Ana Carolina, de três anos.Ela trabalha durante todo o dia e, quando a creche está em férias, recorre aos parentes e a babás por tempo limitado. Tanto minha mãe quanto minha sogra me ajudam quando podem. O problema é que elas também trabalham fora e, quando as férias coincidem com os momentos em que estão em serviço, peço a ajuda de uma vizinha, disse. Para isso, ela desembolsa cerca de R$ 30,00 por uma semana ou 15 dias de serviços da babá. Não é muito dinheiro. Mas, acaba sendo um gasto a mais para o nosso orçamento, disse.Mesmo tendo que enfrentar essas dificuldades, Maria Rosa concorda com as férias. Eu acho que esse descanso é necessário não só para as funcionárias da creche, mas também para as crianças, que cansam da mesma rotina o ano todo, disse.Essa também é a opinião da secretária municipal do Bem-Estar Social (Sebes), Sandra Scriptore. As creches precisam desse período de férias para reestruturar seu funcionamento. Mais do que isso: as férias são extremamente importantes para as crianças, que necessitam desse tempo para ficar em contato com os irmãos, com os pais, enfim, com a família, explicou.Quem tem filho em idade escolar também sente na pele esse problema. A contabilista Cássia Castilho, por exemplo, mãe dos gêmeos Murilo e Janaina, de 11 anos, diz que é muito difícil controlar essa situação. Durante o período de aulas, as crianças ficam com a minha mãe na parte da manhã e estudam à tarde. Agora, nas férias, eles passam o dia todo com a avó e ficam entediados, pois o quintal dela é pequeno e eles não têm espaço para brincar, disse. Ela destacou que o menino é o mais inquieto com a situação. Ele não agüenta ficar parado por muito tempo, quer se aventurar e não tem como, disse.Cássia conta com a ajuda dos parentes para o divertimento das crianças. Fico torcendo para que as tias deles passem na casa da minha mãe e levem eles para um passeio. Assim eles curtem as férias. Para controlar mais a atitude dos pequenos, a contabilista diz que faz um acordo com eles: se eles se comportarem, ela faz tudo o que eles quiserem aos finais de semana. É um acordo de cavalheiros, brinca.Ela salienta que os cursos de férias são uma solução cara para muitas famílias. Nem sempre a gente tem condições de pagar.A vendedora Vera Cristina Cardoso, mãe de Luciana, de sete anos, precisa mandar a filha para outras cidades durante as férias. Minha mãe não tem condições de cuidar da minha filha, pois ela é muito atarefada. Então, o jeito é dar umas férias diferentes, deixando a Luciana uma semana com a tia, outra com o pai, que mora em São Paulo. Eu morro de saudades, mas é melhor do que deixá-la sozinha, salientou.Não só melhor, como fundamental. Algumas mães, desesperadas com a falta de ajuda para cuidar das crianças enquanto estão trabalhando, acabam trancando-as em casa para ir para o serviço. Isso pode ser caracterizado como abandono temporário, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado. O alerta é da assistente social Rosemeire Cristina Alves, diretora do Centro de Registro e Atenção aos Maus Tratos contra a Infância (Crami). Ela destacou que é comum a entidade ser chamada para atender casos nos quais menores de idade são deixados trancados em casa enquanto as mães trabalham. Elas pensam que, dessa forma, as crianças estarão seguras. Na verdade, o perigo também mora dentro de casa, disse.A única saída para quem não consegue tirar férias junto com os filhos é apelar para a ajuda de parentes e amigos de confiança. A cidade não oferece nenhum tipo de serviço gratuito que sirva como alternativa para divertir e cuidar das crianças. O jeito é recorrer às pessoas mais próximas, salientou a assistente social.O que os pais não podem- Deixar as crianças sozinhas em casa- Deixar as crianças com pessoas menores de idadeO que os pais podem- Programar as férias do trabalho para coincidir com as dos filhos- Pagar uma babá- Pagar cursos de férias- Pedir ajuda a parentes próximos ou amigos de confiança (desde que sejam maiores de idade)Zoológico oferece cursos nas fériasDurante três semana, no próximo mês, o Zoológico Municipal estará oferecendo um curso de férias para crianças a partir de quatro anos de idade. O evento se divide conforme a faixa etária e a programação inclui passeios e aulas teóricas e práticas sobre os seres vivos.A bióloga do Zoológico, Angélica Rodrigues Coelho, explicou que, de 9 a 13 de janeiro, será ministrado o curso O mundo das cavernas, para crianças a partir de 11 anos. As aulas incluem uma visita ao Parque e Estação Turística do Alto Ribeira, onde os alunos poderão conhecer a formação das cavernas. De 16 a 20 do mesmo mês, será a vez dos baixinhos de sete a 10 anos se divertirem. Eles participarão do curso Os mistérios da noite, no próprio zoo. A atividade inclui até uma noite no zoológico, na qual poderemos aprender os hábitos noturnos dos animais, disse a bióloga.Para os mais novos, de quatro a seis anos, o curso será dado de 23 a 27 de janeiro, das 13h30 às 16h30, e das 10 horas às 16h30, no sábado. O tema é O mundo dos vertebrados.O preço varia de R$ 35,00 a R$ 70,00, dependendo da turma. Informações podem ser obtidas pelo telefone 235-1185.