Uma notória revista que publicou as Personalidades do Ano destaca o ministro da Educação, Paulo Renato, como personalidade na área do ensino. Antes de jogar-se confete sobre a figura, deve-se destacar a absoluta falência do sistema de ensino brasileiro, imputado por uma política às avessas dos ideais de ordem e progresso, uma aberração chamada de ensino por ciclos.Ocorre que, preocupados com o alto índice de repetência, instituíram a malfadada sistemática, que afasta o aluno das provas e exames para que não sofram abalos psicológicos com uma eventual e necessária recuperação. Contudo, tracemos um paralelo com a vida, os verdadeiros ciclos naturais estabelecidos pelas mais elementares Leis de Deus:1) Numa floresta, as árvores que não conseguem, literalmente, um lugar ao sol, sucumbem diante das mais fortes. A disputa contínua faz com que reles vegetais lutem por sua sobrevivência, galgando pontos mais altos e transformando cada dia numa prova a ser vencida. 2) No mundo animal, diariamente, os animais são colocados à prova, numa disputa acirrada pela vida ou morte. Os filhotes descobrem, em poucos minutos de vida, que devem esforçar-se para não sucumbir diante das dificuldades da vida. Devem ser mais rápidos e mais espertos que seus adversários. 3) No cosmo, berço de nossa Terra, planetas e astros menores são atraídos ou passam a sofrer influência da gravidade dos maiores. E, mesmo nesse universo inanimado, existem as provas e a luta pela sobrevivência.Contudo, na sociedade brasileira, os menores não podem descobrir o valor de lutar pela vida ou sucesso e devem vangloriar-se por passar de ano sem terem feito uma prova sequer. O mérito pelo esforço individual, que antes alimentava o espírito da disputa, que ensinava o prazer da vitória, que percutia ânimo no brio individual, sucumbiu diante da lei do menor esforço.Enquanto o nefelibata ministro gaba-se com os números, finge não perceber os milhares de jovens que, ao término do ensino fundamental, sequer sabem quais são as quatro operações matemáticas; não são especulações, são fatos comprovados por diversas pesquisas da mídia.Estamos entrando numa nova era, num novo milênio vivenciando uma involução social. Desprezar o ser humano e torná-lo menos importante que resultados oficiais é atitude digna de um governo altamente tecnocrata e, o pior de tudo, é que muita gente, inclusive docentes, aplaudem os atos desse Ministério. Para finalizar e comprovar a teoria, deixo uma pergunta no ar: será que os filhos do ministro estudam na rede pública? (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)