08 de julho de 2026
Geral

Milagres inacreditáveis

N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Forçada pelo próprio sistema econômico vigente a pagar mais, quase todo dia, pelos vários bens de que necessita, sejam alimentos, sejam roupas, sejam calçados, sejam remédios etc, a população já não acredita mais no milagre das medidas que o Governo decreta, de vez em quando, com o propósito confesso de fazer baixarem os preços. Não acredita porque, via de regra, os decretos respectivos resultam contraproducentes, quer dizer, acabam produzindo resultados contrários ao espírito com que foram craniados. Ao invés de despencarem de suas alturas, as cotações sobem como bem enfunado balão de festa junina. Por esse motivo, o oba-oba que o Governo do Estado vem fazendo, acenando com produtos agrícolas baratos a partir da próxima safra, não está ganhando a credibilidade da população em geral, que não parece disposta a se deixar iludir pela fala governamental, pois acha-a um repeteco de filmes que, com algumas variações de cenas, já foram produzidos em outras ocasiões sem o sucesso que se esperava.A promessa de comida barata na mesa de ricos, remediados e pobres com que o governador está tentando embalar as esperanças do povo, vem sendo encarada, assim, como uma ilusão, um sonho de uma noite de verão. Ninguém está lhe dando crédito porque, para baratear os alimentos não basta a redução ou a supressão dos tributos que incidam sobre eles e respectiva sementeira. É necessário algo mais, como, por exemplo, conseguir evitar que, abstraído o imposto, o custo das sementes e adubos continue subindo e, conseqüentemente, pressionando o preço final sem outros gravames. Isso é difícil, uma vez que as beneficiadoras de sementes e produtoras de insumos sofrem incessantes reajustes nos preços da matérias primas, nos salários de seus empregados e nos encargos em geral, principalmente previdenciários, e não têm como entregar seus produtos a preços que permitam à lavoura comercializá-los a custo baixo, mesmo que isentos de alguns tributos. Então, se o governador estiver pensando que vai conseguir colocar arroz e feijão na mesa da população a preço que todos possam pagar sem sacrifício, deve preparar-se desde logo para uma grande desilusão, a desilusão que o povo certamente não terá porque há muito que já deixou de esperar por milagres dos homens de governo. É a nossa opinião. (N. Serra, Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado).