11 de julho de 2026
Geral

Foto aérea mostra como o telhado do alojamento cedeu, destruindo esta ala do Instituto Agrícola

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O alojamento, com capacidade para abrigar 150 reeducandos, precisou ser interditado por risco de desabamentoUm incêndio de grande proporções consumiu um alojamento de aproximadamente 300 metros quadrados e ameaçou o outro, na manhã de ontem no interior do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru. Mais uma vez, a censura imposta pela direção do IPA dificultou o trabalho da Imprensa, que não teve acesso ao local do incêndio - os repórteres ficaram a mais de mil metros do local incendiado. A direção do IPA só autorizou a entrada da Imprensa às 15 horas, sete horas após o início do incêndio. O fogo teria começado por volta das 8 horas de ontem, no alojamento de número 5. As chamas foram vistas por um funcionário, que acionou os bombeiros. Cinco viaturas e 30 homens dos bombeiros foram para o local e controlaram o incêndio. Foi necessário a ajuda do Departamento de Água e Esgoto (DAE), que enviou caminhões-pipa para o combate ao fogo. O alojamento 5 tinha capacidade para abrigar 150 reeducandos e foi interditado, pois havia risco de desabamento. O alojamento ao lado também ficou comprometido e não poderá ser ocupado antes de ser reformado. Apenas cerca de 40 reeducandos estão no IPA nesse período de festas. Mais de 600 reeducandos obtiveram autorização para a saída temporária e deixaram o presídio na semana passada, devendo retornar em janeiro.O alojamento dos reeducandos, segundo o tenente Alexandre Reche, do Corpo de Bombeiros, continha muito material combustível, o que teria ajudado a propagação do fogo. Havia muitos colchões de espuma, e papéis, além do forro e do piso serem de madeira, disse.Reche explicou que a chegada dos bombeiros aconteceu depois que o fogo já havia se propagado. Os funcionários tentaram apagar o fogo. Quando nós chegamos, as chamas já estavam altas. De nossa parte não há suspeitas de incêndio criminoso, disse.Na opinião do tenente, o fato de ter chovido a noite toda e umedecido o telhado não evita a ocorrência do incêndio. A instalação é fechada. A chuva não acrescenta nem diminui a possibilidade de incêndio. Não posso afirmar se o incêndio foi provocado. Quando os bombeiros chegaram, as chamas já estavam elevadas, contou.Ele acha que a carga combustível do alojamento era muito alta, por isso, mesmo com a chuva o fogo se propagou. O problema é que a carga de produtos inflamáveis era muito alta. Piso e laje de madeira, mais os beliches, disse.Segundo o tenente Reche, no momento do incêndio havia apenas um dos cerca de 40 presos que estão no presídio. Estava apenas o preso da faxina e não houve feridos, garantiu. Na opinião do bombeiro, todas as instalações ficaram comprometidas e não têm condições de serem usadas antes de uma reforma. É preciso a presença de um engenheiro. Eu calculo que parte das instalações esteja comprometida por causa da quantidade de calor gerada pelo fogo, disse. Caixa PretaO IPA é, para a Imprensa, uma verdadeira caixa preta. Os jornalistas bauruenses não têm acesso ao presídio quando há necessidade. Só quando a diretoria acha que deve permitir. O motivo da censura nunca foi revelado. Mas a verdade é que quando há rebelião, incêndio ou qualquer movimento de presos, os jornalistas, aqueles que deveriam mostrar para a população o que está acontecendo, são impedidos de entrar. O que mais intriga é a posição das autoridades de Bauru, que não exigem transparência. A cidade tem o ônus de abrigar mais de três mil presos do Estado e, ainda assim, a população não pode saber o que ocorre no interior dos presídios.No caso específico de ontem, a situação foi mais grave. Não havia perigo de reféns, uma vez que o presídio que abriga cerca de 700 reeducandos, estava com apenas 95% deste total. Os demais estão passando as festas com suas famílias.