Ingressei para os escritórios da Companhia Paulista em plena II Guerra. A estrada funcionava bem, a pleno vapor, exceto a parte eletrificada que funcionava ainda melhor. Corriam no horário os trens lotados de passageiros (alguns noivos passavam a primeira noite a sós no embalo de uma cabine dupla do carro dormitório). Os telegramas via estrada chegavam mais depressa do que pelo telégrafo nacional. A política de transporte priorizou a rodovia em detrimento da ferrovia. A estrada não agüentava a concorrência. As greves a levaram à encampação e a estrada passou a funcionar sob subsídio. Não houve investimento suficiente para evitar o sucateamento. O governo enxugou o quadro de pessoal e saneou as finanças; mas privatizou a estrada toda sucateada. Acho difícil a Ferroban recuperar a ferrovia sem ajuda do erário. O faturamento pode não compensar os investimentos necessários. Por falar nisso, o belo prédio da estação da NOB, na praça Machado de Melo, está aí fechado. São muitas as sugestões para o seu aproveitamento. E se voltarem aos trilhos os carros de 1ª e 2ª classes, restaurantes, pullman e dormitório? (Omar Barreto - RG. 5.663.388-9)