Vários projetos vêm sendo implantados para substituição da energia elétrica. A economia pode variar entre 35% e 60%O aquecimento de água por meio da energia solar é uma das alternativas de economia de energia elétrica no Brasil, o país que tem o maior índice de insolação do mundo. Projetos pilotos vêm sendo realizado, em parceria com empresas de distribuição de energia, como o PopSol, em São Manuel, e o que implantou sistemas na Ilha do Mel, no Paraná, ambos executados pela Soletrol, de São Manuel, a maior fabricante de sistemas de aquecimento solar da América Latina.Na Ilha do Mel, 203 residências tiveram os chuveiros elétricos, que funcionavam com energia de um gerador a óleo diesel, ou seja, que provocava um alto índice de poluição, trocados por aquecedores solares, num projeto desenvolvido pela Copel (distribuidora de energia do Paraná).O PopSol, que foi o pioneiro, demonstrou ser possível a economia entre 35% e 60% no consumo de energia de uma casa popular - dependendo dos hábitos das pessoas residentes. A partir desse programa, recentemente, a Soletrol realizou a instalação de sistemas de aquecimento em um núcleo habitacional em Contagem (MG), com 100 casas, ação inédita no País, num projeto bancado pela Eletrobrás e em parceria com a (Pontifícia Universidade Católica) PUC de Minas Gerais. É um marco no setor da energia solar no País, afirmou Luiz Augusto Ferrari Mazzon, vice-presidente de Marketing e Relações Governamentais da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) e diretor da Soletrol. Ele afirma que essas ações estão despertando interesse de companhias habitacionais de várias regiões do País.De acordo com Mazzon, há uma conversa bem adiantada com a Caixa Econômica Federal (CEF), no sentido de que a instituição financeira conceda crédito para a construção de residências já incluindo sistema solar de aquecimento, o que permitiria aos mutuários uma economia mensal de energia elétrica.Vale destacar que, em razão do nível de insolação do País, o aquecimento complementar elétrico para o sistema solar só é necessário em 5% dos dias do ano. Mesmo assim, esse sistema vai funcionar sempre fora do horário de ponta, porque o aquecimento da água é feito de forma lenta, ao contrário do chuveiro, que é imediato.Mazzon destacou que, dentro de um residência, a maior economia de energia que pode ser feita é a substituição do chuveiro elétrico por um aquecedor solar, já que o chuveiro é o grande vilão do consumo, principalmente no chamado horário de ponta.O vice-presidente de Marketing e Relações Governamentais da Abrava destaca que o aquecimento com energia solar ajuda a deslocar o consumo do horário de ponta, já que as pessoas não têm que ligar o chuveiro elétrico. Se o Brasil conservasse mais energia, os altos investimentos no setor de geração poderiam ser postergados, afirmou.Mazzon acredita que o País precisa de uma cesta de soluções na área da conservação de energia. Para ele, é necessário uma mudança na matriz energética do Brasil por setores.MercadoO mercado de energia solar vem crescendo no Brasil e deve fechar o ano com um faturamento de US$ 25 milhões, variações positivas de aproximadamente 60%, em relação a 1999. A Soletrol teve, segundo Mazzon, um crescimento de 100%, repetindo o desempenho do ano anterior.Esse crescimento, em grande parte, foi alavancado pela redução na carga tributária dos aquecedores solares, que promoveu uma redução de preços e ampliou as vendas para uma camada de menor poder aquisitivo da população.Para o vice-presidente de Marketing e Relações Governamentais da Abrava, o potencial do mercado de aquecedores é de chegar a US$ 300 milhões por ano, em caso da implantação de um programa de utilização do aquecedores e de educação, já que o chuveiro elétrico está incorporado à cultura do brasileiro. Além do aspecto energético, existe o aspecto ambiental que deve ser levado em consideração, afirmou.