08 de julho de 2026
Geral

Traição partidária dá tom na Câmara

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

A um dia da eleição da presidência da Câmara, candidatos não conseguem obter votos dos próprios colegas de legendaA eleição para a presidência da Câmara Municipal de Bauru, marcada para amanhã, pode trazer a a traição partidária como marca principal, motivada pelo descompromisso partidário e interesses pessoais de boa parte dos vereadores, reeleitos e novatos. Walter Costa, candidato do PPS, poderá não ter os votos de seus dois colegas de partido. Por sua vez, João Parreira de Miranda (PDT) debate-se com a possibilidade de que quatro dos seis vereadores que compõem a bancada pedetista no Legislativo não o apóiem.Até ontem, o jogo de xadrez da sucessão tinha, segundo cálculos dos próprios candidatos, o placar de 12 votos para Walter Costa contra 9 para João Parreira de Miranda. O pedetista trabalha para reverter a posição dos colegas de partido, mas esta não será tarefa das mais fáceis.Ontem de manhã, em reunião convocada pela direção do PDT, Pastor Luiz, José Humberto Santana, Renato Purini e Faria Neto declararam que irão votar em Walter Costa, porque já assumiram compromisso com o adversário. Esses vereadores são pessoas sérias e dignas, mas o comprometimento partidário deve falar mais alto, defende Parreira, tentando reverter os votos que seriam contrários.Mesmo com a declaração dos colegas, Parreira afirma que manterá a candidatura porque tem o respaldo do PDT. A demonstração de interesse do partido em tê-lo como candidato, conta, deu forças adicionais para tentar novos apoios. Vou buscar votos até o último instante, garante.Parreira conta com os votos, já declarados por meio de documento, dos vereadores Majô Jandreice (PC do B), José Carlos Pereira Batata (PT), Toninho Garmes (PSDB), Paulo César Madureira (PPB), Milton Dota Júnior (PPS) e José Clemente Rezende (PPS). Luiz Carlos Valle (PDT) também apóia o colega.A declaração pública de voto de Dota e Clemente à candidatura de Parreira, no meio da última semana, rachou o PPS. Alguns partidários defenderam medidas mais rígidas contra os vereadores, enquanto outros se posicionaram a favor do voto aberto, considerado mais democrático.Walter Costa garante que não se abalou com a notícia de que Clemente e Dota apóiam o adversário. A minha candidatura foi escolhida dentro do partido e eles foram votos vencidos. Eles têm o mandato e o direito de votar em quem quiser porque o voto é sagrado. O problema desses elementos não é meu, mas do partido, avalia.Para Costa, o posicionamento de Clemente e de Dota não atrapalha a sua candidatura, a qual cogitou retirar caso o PPS exigisse o voto fechado nele. Assim sendo, considera a declaração de apoio de Pastor Luiz, Santana, Purini e Faria Neto algo legítimo e digno.Tinha certeza que eles manteriam o compromisso assumido comigo. Eles são quatro homens, na acepção da palavra, não são moleques. Sempre confiei na palavra deles e aposto minha vida que nenhum dos 11 que declarou apoio à minha candidatura voltará atrás, sustenta.O candidato do PPS diz ter os votos dos petebistas José Walter Lelo Rodrigues e Roberto Bueno, Rodrigo Agostinho (PMDB), dos pefelistas Osvaldo Paquito da Silva e Paulo Eduardo Martins Neto, dos pepebistas José Eduardo Ávila e Leandro Martins e de quatro pedetistas, além de um outro vereador, cujo nome prefere manter incógnito.Costa diz que a reunião realizada pelo PDT foi legítima e salienta que todo jogo que precede a sucessão é válido, desde que não envolva dinheiro. Por isso, continuará com a pressão sobre os apoiadores, com quais afirma conversar a toda hora.Até amanhã, Parreira promete também manter as conversações. Por essa razão, o pedetista reviu a birra que tinha com a telefonia celular e comprou um aparelho, que mantém à mão. Por se tratar de uma eleição bastante disputada e que não dá margem a nenhum tipo de ingenuidade, todos os minutos que a antecedem serão importantes, o que impede qualquer tipo de previsão sobre resultados.A eleição será realizada logo após a posse dos vereadores, que terá início às 18 horas de amanhã. A votação será nominal e sua sequência pode se dar por sorteio ou pela ordem alfabética de nomes dos 21 vereadores.