08 de julho de 2026
Geral

Brotas mapeia natureza para exploração

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Mapeamento aponta a existência de muitas cachoeiras e montanhas a serem explorados de forma a atrair mais turistasBrotas - O turismo ecológico mudou a vida da pequena cidade de quase 20 mil habitantes, localizada no centro do Estado de São Paulo. Há mais de 50 anos os habitantes de Brotas costumavam brincar com bóias no rio Jacaré-Pepira, que passa pelo centro da cidade. Mas não passavam disso. A idéia de que a brincadeira poderia se transformar em fonte de renda só surgiu em 1992, quando o projeto de instalação de um curtume mexeu com os brios de um grupo de moradores. Reunidos numa organização não-governamental (ONG) - eles fizeram um mapeamento e descobriram a existência no município de 50 cachoeiras, montanhas, fazendas antigas e outros recursos que poderiam ser explorados de forma a atrair turistas. Naquela época, alguns desses recursos já eram explorados por agências pioneiras que vinham de São Paulo e descobriam locais exóticos. Era uma atividade que vinha de fora para dentro, e isso nos levou a concluir a conveniência de montar um esquema receptivo, diz José Carlos de Francisco Júnior, diretor da agência Matadentro Ecoturismo e Aventura, derivada da ONG e precursora de outras nove agências hoje instaladas na cidade. A empresa desenvolveu equipamentos para o bóia-cross e treinou monitores para canoagem, rafting, rapel, trekking, moutain bike e cavalgada. O trabalho, realizado na base da intuição, ganhou corpo e a pequena cidade, que em 1993 só oferecia cinco opções turísticas e 380 leitos, hoje reúne 20 atrativos, 12 sítios abertos, 100 guias, 900 leitos em 14 hotéis e pousadas, 1.500 vagas em casas de aluguel e camping para abrigar mil pessoas. Areia que canta - A Fazenda Tamanduá existe há mais de 80 anos. Foi aberta pelo imigrante italiano Efro Farsoni. A propriedade já teve alambique, cafezais, gado de corte e outras atividades. Hoje é administrada por Andrelina Pinotti Farsoni, viúva do neto do pioneiro que explora o turismo rural, com os quatro filhos e uma equipe que reúne de 10 a 20 funcionários, conforme o movimento. O que desperta o interesse dos visitantes pela fazenda é a areia que canta. A areia existente numa nascente, formada por partículas arredondadas de quartzo. Quando retirada da água e friccionada ou agitada, produz um estranho ruído, parecido com o de uma cuíca. Tudo era visitado de forma primária e gratuita. Há sete anos a família passou a oferecer um café com bolos, pães e queijos, depois instalou um restaurante e hoje tem também uma pousada com 12 apartamentos. Além da areia, oferece ainda banho na cachoeira e nas corredeiras do Rio Tamanduá e a tiroleza - travessia do lago por meio de um cabo-de-aço. O movimento é grande e o programa de visita, orientado por monitores, pode atender até a 240 pessoas por dia. Com 103 alqueires, a parte da fazenda que ficou com Andrelina e os filhos hoje tem um rebanho de 85 cabeças de gado e culturas de subsistência. O turismo, no entanto, responde por 90% da renda. Quando começamos a trabalhar, encontramos o turismo ecológico numa primeira fase, com os pioneiros atuando. Nós constituímos a segunda fase, com o esquema receptivo e as atividades locais e hoje já existe uma terceira geração, com as escolas abrindo seus currículos para a área, diz Francisco Júnior. Só ao redor de Brotas, num raio de 150 quilômetros, existem seis cursos universitários de turismo voltados para a temática ecológica.