Os economistas vêem, em sua maioria, a chegada de 2001 com otimismo. Porém, é consenso que o País ainda precisa avançar muito, principalmente no combate à pobreza, já que somente a contenção do crescimento da inflação já não é vista como suficiente. A expectativa é de que o Brasil adote uma política econômica para voltar a crescer e recuperar as duas décadas que se encerram neste ano, período considerado de grandes perdas, principalmente as sociais.O delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, diz que, em 2001, o Brasil deve manter o nível de crescimento econômico. Para ele, se calibrarmos a pauta de exportações, com linhas de crédito e incentivos; se houver uma liberação maior da economia via queda de juros primários e na ponta; se o governo retomar investimentos, poderá ocorrer um crescimento na casa dos 4,5%. Estamos falando em crescer 4,5% sobre a base de 2000 que já observou crescimento na casa dos 4%, destacou.Para Cafeo, o ideal seria crescer entre 7% e 9%. Mas, segundo ele, é necessário considerar a fragilidade do modelo econômico adotado, alicerçado em poupança externa e, portanto, vulnerável às crises internacionais. Vale salientar que crescer é só uma pré-condição para alcançarmos o desenvolvimento econômico, disse. O delegado do Corecon acredita que o ano de 2001 será marcado por uma caça às bruxas. O esforço do governo será na tentativa de receber os valores devidos pelos inadimplentes e evitar a sonegação. Segundo ele, não há mais capacidade de aumentar a carga tributária. A discussão em torno da reforma tributária será pontual e poderemos ter, finalmente, sua aprovação. Mas, as metas com o FMI estão aí e deverão ser cumpridas. Para Cafeo, é preciso considerar o ambiente pré-eleitoral (definições para 2002), que pode trazer a retomada dos investimentos públicos, mas sem exageros, em razão da Lei da Responsabilidade Fiscal, que veio para colocar disciplina nessa questão.O economista Wagner Ismanhoto, chefe do Departamento de Economia da Faculdade de Economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE), diz não ter dúvidas de que a economia será melhor em 2001, em comparação a 2000, num processo de continuidade do bom desempenho obtido no segundo semestre deste ano.Depois de dois anos ruins, na média, Ismanhoto acredita que chegou a hora do Brasil passar por um período de recuperação, obtendo de volta aquilo que perdeu nos últimos anos. Para ele, existe um cenário externo mais favorável ao País, já que a economia dos Estados Unidos já não é a mesma. Já falam, até, em reduzir impostos para que sobre mais dinheiro na mão dos norte-americanos. Especialistas apontam que aquele país deve amargar uma recessão. No mínimo, vão diminuir o ritmo da economia, afirmou.Com esse cenário internacional, os investidores devem começar a olhar para outros países para canalizar suas aplicações, o que pode favorecer o Brasil.Para Ismanhoto, há um risco no crescimento da economia brasileira: o de uma pequena alta de inflação, que poderia levar o governo a engessar novamente a economia, evitando um crescimento mais acentuado. Porém, os indicativos são de que o governo vai deixar a economia caminhar com as próprias pernas. A somatória do cenário internacional e da realidade nacional, que está mais adaptada ao mercado mais competitivo, pode fazer com que a economia tenha condições mais favoráveis para o crescimento, afirmou.O economista José Almodova tem uma expectativa otimista para 2001. Para ele, a perspectiva é de que ocorra um crescimento do PIB, mas sem muita surpresa. Ele diz que isso só não vai ocorrer se houver uma mudança significativa no contexto mundial.Almodova aposta que o País deve iniciar uma caminhada para obter uma maior projeção no setor produtivo mundial.ArrojoO economista e professor universitário Said Yusuf Abu Lawi diz que, no próximo ano, o governo precisa ter iniciativas mais arrojadas para que a economia possa recuperar as décadas de 80 e 90, que foram perdida para o País. Ele diz que muitos fazem uma comparação irracional entre os déficit do Brasil com o de alguns países europeus, dizendo que o nacional é inferior. Para ele, o País pode até estar com uma situação financeira melhor, mas não com uma situação social melhor. O ponto de agravo é justamente na questão social. É aí que vem uma dose de pessimismo, afirmou.Para Said Yusuf, o governo continua pisando em ovos e está com dificuldades para deslanchar a economia, em razão das amarras que criou. Ele diz que, por isso, é possível prever poucas mudanças na economia, com a tendência da continuidade da política de contenção da inflação. O problema é que a inflação apregoada é a da cesta básica e não a real, que boa parte da população sofre na carne. Então, vamos continuar neste faz de conta, afirmou.Para que o País possa recuperar suas perdas nos últimos 20 anos, diz Said Yusuf, teria que ter um crescimento tendencial do Produto Interno Bruto (PIB) de, pelo menos, 7% durante um igual período.