O presidente da Associação dos Feirantes em Bauru acredita que a forte concorrência dos supermercados e sacolões pode acabar com os feirantesE se não existissem mais as feiras livres? E se os feirantes não montassem mais as feiras? Será que as pessoas que têm o hábito de ir à feira uma vez por semana se acostumariam a não comprar mais os produtos tão fresquinhos oferecidos no local? A concorrência com os preços de supermercados e sacolões pode acabar com a profissão feirante, segundo o presidente da Associação dos Feirantes de Bauru, Nilton de Jesus Tayano. O feirante está em extinção. A pressão dos concorrentes é grande e o seu ganho é cada vez menor. Não é fácil conviver com a concorrência dos grandes sacolões e supermercados, afirmou Tayano. Em Bauru, existem cerca de 300 feirantes que trabalham nas 26 feiras livres realizadas em diversos bairros da cidade. Há cinco anos, o número de feirantes era 30% maior do que hoje, segundo Ezequiel Zanetta, diretor de Varejo da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, e que cuida das feiras livres há 30 anos. O motivo para essa diminuição é o mesmo apontado por Tayano: a concorrência dos grandes supermercados e sacolões. É difícil para o feirante competir com os preços dos supermercados e sacolões. E é por isso que o número de feirantes está diminuindo a cada ano, afirmou Zanetta.O feirante acorda às 5 horas, colhe seu produto (quando é produtor) ou vai comprá-lo no Ceasa (quando ele é apenas revendedor). Monta a barraca e começa a vender às 6 horas. Tayano afirmou que o feirante faz parte de uma classe sofrida. Antigamente, ganhava-se dinheiro na profissão feirante. Apesar de todo o trabalho, compensava. Hoje não, afirmou.TerapiaA feira livre é classificada como uma terapia para Tayano. Isso porque muitas pessoas vão até o local para passear e encontrar os amigos, principalmente aos domingos. Tadashi Komorizono e Yurica Tagiri vendem flores há 7 anos na feira. A barraca multicolorida atrai diversas pessoas. Quem vende flor tem muitos amigos, porque mesmo que não compre nada, a pessoa sempre vem até a nossa barraca para ver as flores e conversar com a gente e com outras pessoas, disse Yurica.De pai para filhoSer feirante é uma profissão que, na maioria dos casos, é transferida de pai para filho. Muitas barracas são herança familiar. O jovem Fábio Adacha trabalha na barraca de ovos. Ele contou, com orgulho, que seu pai trabalha há 30 anos na feira. Agora, cada um cuida de uma barraca em feiras diferentes. Para ele, o mercado é muito competitivo, mas muitas pessoas ainda preferem comprar na feira. Os produtos são mais frescos e as pessoas sabem de onde eles vêm. E comprar na feira é mais agradável, disse Fábio.