08 de julho de 2026
Geral

No clarão da alvorada

N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Infelizmente - é o que se tem de dizer - o primeiro ano milenar cerrou suas cortinas tempestuosamente, uma vez que, além de outros conflitos humanos, se fez castigado pelos confrontos bélicos, ainda em andamento, no velho Oriente Médio, e pelas rebeldias políticas eclodidas na nossa vizinha Argentina. Além desses acontecimentos terem levado para as tristes sepulturas inúmeros seres humanos, eles deitaram intraqüilidades terríveis sobre quase todos os povos da terra, que se tem como bendita, assustando-os com ameaças de uma conflagração universal. Ainda bem que isso não aconteceu, pelo menos até agora. Em função deles, viu-se o mundo penalizado por martírios que a história jamais havia registrado em todas as suas épocas, pois chegaram a superar, em violência, inclusive, os horrores da II Guerra Mundial, da qual todos estão indelevelmente lembrados.

Nesta esperada manhã, surge na vida da humanidade um novo calendário, com exatamente 365 novas manhãs, novas tardes e outras tantas noites... Como ele se apresenta realmente aos olhos e sentimentos da gente? Abre-se com um sol de paz e tranqüilidade como ardentemente se deseja? Deploravelmente não, porque tudo continua hoje como se encontrava ontem, com as divergências sociais, econômicas, políticas e bélicas motivando a continuidade das arremetidas selvagens dos homens, como os que nos sacodem violentamente desde o fatídico 11 de setembro. Conseqüentemente - pergunta-se - até quando as regiões do mundo terão de continuar caminhando sobre brasas ardentes, suscetíveis de lhe perpetuarem os horripilantes incêndios de até aqui? Até quando, querido Deus, que criou o céu, a terra, os mares e as florestas como autênticos paraísos para seus filhos, que neles teriam de viver como na serenidade de criança dormindo e, no entanto, o fazem desesperadamente, curtindo pesadelos os mais revoltos? Seria até que, por acaso, a inveja que resulta em cobiça; a ganância desmedida, que cria riquezas ilícitas; a falta de solidariedade, que produz o desamor; e a violência que inspira seqüestros, roubos e assassinatos, sejam desencasteladas das cabeças dos seres descuidados?

Com certeza, porque para conter tais desmandos terão todos de terem os olhos e os corações plenamente abertos para o milagre da vida, que se lhes apresenta em todos os momentos mais sublimes que conseguirmos criar para nós mesmos no ano novo que nos é oferecido hoje. Entremos todos para isso, então, com uma participação segura e efetiva tendo em vista que o nascente 2002 se torne, verdadeiramente, no clarão da alvorada de um longo ciclo de paz e harmonia da humanidade. É a nossa opinião, acrescida dos nossos votos de saúde e felicidade para os prezados leitores do JC. (O autor, N. Serra, é o Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado).