09 de julho de 2026
Geral

Preço do café desestimula os produtores da região de Bauru

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 2 min

O preço do café no mercado internacional, de R$ 120,00 (cerca de US$ 60,00), está altamente desestimulante para os produtores brasileiros. Maurício Lima Verde Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Bauru, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e membro do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC), destaca que é o menor preço dos últimos sete anos, e com poucas perspectivas de mudanças nos próximos meses.

Lima Verde afirma que a pequena alta do café ocorrida na semana passada, em razão da perspectiva de geadas no México, não foi animadora. O sindicalista diz que a safra anunciada pela Embrapa, de pouco mais de 26 milhões de sacas indica mais um ano de colheita muito baixa.

Porém, o problema do café está no excesso de oferta no mercado internacional, que está com um excedente de 10 milhões de sacas de 60 Kg são cerca de 115 milhões disponíveis para um consumo estimado de 106 milhões de sacas.

Esse volume a maior vem do Vietnã, que está vendendo café Robusta (de qualidade mais baixa do que o Arábica que o Brasil produz) que custa menos, cerca de US$ 35,00 a saca. Antigamente, o café Robusta era usado num percentual de aproximadamente 4% no brent (mistura) com os tipos mais nobres. Porém, com as novas tecnologias de torrefação, esse índice subiu para até 30%. Os torrefadores pegam esse café, que é muito mais barato, fazem a mistura de um café que é perfeitamente tomável. Isso favorece países como Indonésia, Vietnã e Índia, que produzem o Robusta, mas faz com que os preços abaixem cada vez mais, afirmou. No Brasil, o Estado do Espírito Santo também produz o café Robusta.

Porém, o líder ruralista revela que esse quadro provoca uma situação de intranqüilidade para todos. Para ele, a única solução seria o governo brasileiro financiar a estocagem do café por um preço de R$ 100,00 e esperar até que o mercado internacional reaja com a falta da oferta do maior produtor mundial. Mas, ele reconhece que a dificuldade para isso é econômica, pois seria necessário um valor de aproximadamente R$ 800 milhões.