Passada a eleição para a presidência da Câmara Municipal, o PDT começa a reunir os cacos que sobraram do posicionamento dividido de seus vereadores diante da candidatura de João Parreira de Miranda. Maior bancada do Legislativo, o partido não conseguiu aglutinar-se e pode amargar o enfraquecimento da imagem partidária perante outras legendas.
João Parreira de Miranda resume bem a situação atual da bancada pedetista. Ninguém tem compromisso partidário. Por acaso, estamos filiados ao PDT. Se um dia votarmos da mesma maneira, terá sido uma coincidência, não uma decisão da bancada, alfineta.
Ressentido com a derrota, mas principalmente com os posicionamentos políticos de Pastor Luiz, Faria Neto, José Humberto Santana e Renato Purini, Parreira não aceita o argumento de que seus colegas de partido votaram em Walter Costa (PPS) porque haviam empenhado a palavra.
Não iria ser candidato se o partido não tivesse sinalizado nesse sentido. Palavra é uma coisa séria, mas não se empenha palavra assim, à toa. Antes, é preciso avaliar os comprometimentos anteriores, como o fato do partido os ter elegido, as reuniões que foram realizadas, opina Parreira.
Da mesma maneira, o vereador é ácido ao comentar o argumento dos quatro colegas de que o PDT não definiu sua candidatura em tempo hábil. Se me lembro bem, o partido fez uma reunião no dia 16 de dezembro e, na ocasião, a militância se posicionou a favor de que o PDT tivesse candidatura. Diante disso, o natural seria que eles aguardassem o posicionamento oficial do partido ou, no mínimo, consultassem o presidente. Além disso, no dia 30, dentro de um prazo considerado aceitável, foi feita nova reunião, na qual apresentei documento com seis apoios. Se tivesse tido os seis votos da bancada, teria sido eleito, diz.
Em razão do posicionamento dividido, Parreira avalia que a estréia da bancada do PDT no atual mandato foi trágica, e vai além: a eleição de Santana como primeiro secretário é insípida e inodora. Isso não muda nada o PDT. A vitória dele não passou por discussão do partido e representa um comprometimento pessoal. Não há sentido político nisso. Na vida pública, os interesses pessoais nunca devem vir antes dos partidários, defende.
Luiz Carlos Valle também é da mesma opinião de Parreira. A eleição do Santana para a primeira secretaria não representa um desejo do PDT, porque ele foi eleito com os votos da bancada do prefeito. Por isso, não pode ser considerado um fato positivo para o partido, afirma.
Para Valle, o partido está rachado, uma vez que Pastor Luiz, Purini, Faria Neto e Santana, na sua opinião, votaram de forma favorável ao prefeito, não aos interesses do partido. É legal empenhar a palavra, mas quando há uma proposta de independência. O deputado Pedro Tobias é bem claro nisso: quem ganha, administra e quem perde, fiscaliza, sustenta.
Apesar de afirmar que manterão a independência em relação ao Poder Executivo, os quatro vereadores têm opinião diversa de Valle e Parreira em relação ao pleito que elegeu Walter Costa à presidência do Legislativo e dizem que o fato faz parte do passado.
Valle discorda. Eleição não é passado. Com esse posicionamento, eles estão subestimando a capacidade de pensar do eleitorado e também dos próprios vereadores. O posicionamento deles será uma marca que levarão para o resto do mandato, conclui.