08 de julho de 2026
Geral

Protestos diminuíram 6,5% em 2000

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

A redução, pelo terceiro ano consecutivo, seria em razão de uma melhora na cultura de compras de pessoas e empresas

O índice de promissórias, cheques, duplicatas e outros títulos enviados para protestos em Bauru caiu 6,5%, em 2000, se comparado com o 1999, baixando de 63.365 para 59.244. O resultado do ano passado foi a menor quantidade anual desde 1994, quando foram apontados 47.832 títulos, de acordo com o Serviço de Distribuição de Protestos e Títulos. Foi o terceiro ano consecutivo de redução.

De janeiro a dezembro, com exceção de maio, todos o meses tiveram resultados inferiores aos mesmo de 1999 .

Na comparação de dezembro (4.862) com novembro (5.158), verifica-se um queda de 5,74% no número de apontamentos, informou Marcos Marinho Nascimento, do Serviço de Distribuição de Títulos para Protestos.

De acordo com Nascimento, a redução de dezembro se deve a um menor número de dias úteis, em razão dos feriados. Porém, acredita que, no primeiro bimestre de 2001, há uma tendência de um pequeno crescimento, em razão das compras realizadas no final de 2000.

O economista e chefe do Departamento de Economia da Faculdade de Economia da Instituição Toledo de Ensino, Wagner Ismanhoto, diz que a queda nos protestos se deve à melhora na economia e aos cuidados que as empresas estão tendo na hora de conceder crédito. Além disso, afirma, os sistemas de checagem estão muito mais eficientes do que há algum tempo. Para isso, empresas como a Serasa compartilharam informações, facilitando a obtenção de informações em um único meio de consulta.

Ele lembra que houve uma recuperação no nível de emprego, em relação ao ano anterior, quando a economia estava mais retraída, se comparada com o ano 2000, principalmente no segundo semestre.

O economista diz, ainda, que, tanto as empresas quanto os consumidores estão trabalhando com muito mais segurança. O vendedor na checagem do crédito, para evitar o calote, e o consumidor analisando, muito mais, para fazer uma compra que esteja dentro de seu orçamento.

Ele acredita que, neste ano, a situação deve estar ainda mais sob controle, com uma melhora na economia e com o mercado ficando ainda mais seletivo. Com isso, a tendência é de redução na quantidade de apontamentos de protestos. Todos ganham: as empresas e os bons pagadores que terão condições de comprar à prazo com taxas menores, destacou.

Para Ismanhoto, essa queda no nível de protestos pode fazer com que as taxas de juros se reduzam, uma vez que o risco de inadimplência será menor.

Momento de equilíbrio

Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Nunes Carvalho, a estabilidade da moeda, a queda nas taxas de juros e o fato da população estar comprando melhor colaborou para que houvesse a queda nos apontamentos de protestos em 2000. Além disso, afirma que o Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ajudou que muitas empresas conseguissem equacionar suas contas

Carvalho lembra que as pessoas físicas também buscaram se ajustar, tanto que, no final do ano passado, o índice de compras à vista e pelo cartão de crédito cresceu, provocando uma redução nas compras pelo crediário.

O líder associativista disse que as empresas estão muito mais cuidadosas com as contas próprias e com as de seus clientes, o que diminui o risco de inadimplência. Na opinião do presidente da Acib, os números indicam uma tendência de continuidade na queda dos protestos, caso o governo não volte a interferir de maneira prejudicial. Ele destaca que existem poucos novos devedores no mercado, fazendo com que a quantidade de protestos caia. Em 2002, acredita, poderá ocorrer um período de estabilidade.

Em média, dos títulos que dão entrada para distribuição, cerca de 40% acabam sendo realmente protestados. Os outros são quitados dentro do prazo de lei, de três dias úteis, que o Tabelionato de Protestos tem para tramitação, entre o registro, a intimação e a efetivação do protesto. Com isso, muitos devedores acabam aproveitando-se desse prazo legal do cartório para quitar o título. O devedor paga no cartório apenas o valor nominal do título. No entanto, os custos gerados com emissão de cheques administrativo e taxas cobradas pelo cartório acabam tornando a operação mais cara.

Para limpar o nome no cartório após o protesto, o devedor deve apresentar uma declaração do credor dando a quitação do negócio.

Reflexo da estabilidade

A redução do número de apontamentos de protestos, em 2000, indica a tendência de regras mas estáveis vividas pela economia do País, afirma Ricardo Marques Coube, conselheiro estadual do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

Para ele, a população está assimilando a cultura da economia estável agora. Tanto que, lembra, no final do ano passado não houve comentários sobre aumentos de preços. As pessoas e as empresas começam a se planejar, estão muito mais equilibradas e começam o novo ano tendo um plano tático para o ano. Isso é uma coisa que não se fez por muito tempo, afirmou.

Ricardo Coube disse que as pessoas estão com uma sensibilidade para preços mais apurada e uma noção do valor dos serviços prestados e de um produto comprado. Para ele, a tendência é de que os números de protestos continuem a ter uma queda substancial.