08 de julho de 2026
Geral

DAVID CAPISTRANO DA COSTA FILHO: RESISTÊNCIA E LUTA

Isaias Daibem
| Tempo de leitura: 3 min

Desde há muito anunciada, a morte do médico sanitarista David Capistrano da Costa Filho pegou-nos a todos de surpresa. Ele resistia desde a juventude na luta contra o câncer.

Nessa resistência encontrou em Bauru a solidariedade dos amigos quando, no início da década de 80, foi o titular da Secretaria Municipal da Saúde.

Tive o prazer e a honra de trabalhar ao lado desse militante histórico da esquerda brasileira, filho de ativistas da velha guarda do Partidão, vítimas da ditadura militar.

Conheci Capistrano na resistência contra a ditadura e na luta pela reconquista da democracia. Nesta jornada estávamos juntos.

Derrubada a ditadura, ei-lo novamente na resistência. Agora contra as políticas privatistas e neoliberais, o novo nome do capitalismo, esse engodo histórico.

Eleito prefeito de Santos (1993/1996), vamos encontrá-lo outra vez na resistência lutando por melhor qualidade de vida, especialmente aos mais carentes e excluídos.

Sua atuação na saúde pública fez reduzir a incidência da Aids no município de Santos, que era a cidade brasileira com maior número de casos da doença, com 97,94 ocorrências por grupo de 100 mil habitantes. Em 1996, esse número foi reduzido a uma taxa de 81,44. A atuação de Capistrano alcançou, inclusive, a luta antimanicomial. Ele foi considerado referência mundial em política contra internações agressivas em hospitais psiquiátricos.

Sobre David Capistrano muitos já escreveram manifestando solidariedade diante da sua experiência de dor e morte.

Recentemente, Antonio Pedroso Junior, filho de militantes do Partido Comunista, também manifestou-se, sugerindo às autoridades municipais que façam uma homenagem ao companheiro de lutas, nomeando o Hospital Regional Estadual, perenizando a memória do sanitarista de renome nacional.

O ilustre professor José Benedito Pinto, educador identificado e atento às coisas do município, defendeu, também, com muita propriedade, através deste jornal, uma homenagem ao dr. David pelos serviços prestados à comunidade na área da saúde.

O monsenhor Almir Cogiola, cuja vida pastoral se entrelaça com a própria cidade, conheceu Capistrano e seu trabalho e, em celebração póstuma, exaltou suas qualidades de homem público comprometido com os excluídos e com as camadas mais pobres da população. Evidenciou o gesto humanitário de David, demonstração inequívoca de solidariedade e humanismo que suplanta as concepções ideológicas.

Considerado um dos quadros mais brilhantes da vanguarda da política nacional, membro da direção do PT, após passar por diversas organizações da esquerda brasileira, Capistrano continuava na resistência até novembro deste ano quando morreu após complicações hepáticas.

A municipalidade haverá de perpetuar o nome de David Capistrano da Costa Filho como sinal de reconhecimento àquele que, resistindo a vida inteira, deu exemplos concretos através de ações para a recuperação da dignidade humana visando a construção de uma sociedade solidária, justa e democrática, especialmente neste momento em que políticas privatistas destruindo o Estado, derradeiro instrumento de justiça, atiram no caos e no desespero milhões de seres humanos, não só no Brasil como em todo o mundo.

Por tudo isto é preciso resistir como Capistrano, que nos relembra Brecht no poema que fala dos homens que lutam toda a vida e são imprescindíveis.

Lição de resistência que, certamente, Bauru reconhecerá. (Isaias Daibem)