Moradores fizeram abaixo-assinado pedindo a manutenção da unidade de saúde. Secretaria está revendo os PSs
Mais de 300 pessoas reunidas anteontem à noite, na Paróquia de São João Batista, na Vila Ipiranga, se manifestaram contra a possibilidade de fechamento do Pronto-Socorro do bairro. A reunião foi chamada pelo conselho gestor da unidade e conseguiu arregimentar moradores da Vila Ipiranga, Jardim Ouro Verde e Vila Independência, principais usuários do serviço. Na ocasião, foi passado um abaixo-assinado que deverá ser entregue dentro das próximas semanas ao prefeito Nilson Costa (PPS). O documento é um apelo para que o poder municipal, ao invés de minguar a unidade, tome providências no sentido de melhorá-la.
A decisão de convocar a comunidade para discutir o problema partiu do próprio conselho gestor diante da proposta de revisão das unidades descentralizadas de urgência e emergência do município (Ipiranga, Bela Vista e Mary Dota), anunciada pelo Conselho Municipal de Saúde no final de dezembro. No entendimento dos gestores do PS Ipiranga, compartilhado pela comunidade local, a dita reformulação significa o fechamento da unidade, a partir de sua transformação em ambulatório.
O Conselho Municipal de Saúde não cogitou em nenhum momento encerrar as atividades dos PSs descentralizados. Discutiu-se, sim, a falta de estrutura dessas unidades para continuar atendendo casos de urgência e emergência. Por lei, nenhuma das três atende aos requisitos para operar como PS, serviço que exige a retaguarda laboratorial e hospitalar. Por esse parâmetro, apenas o Pronto-Socorro Central, ainda que em condições precárias, pode funcionar como tal.
A vereadora Maria José Majô Jandreice, presidente do Conselho Municipal de Saúde, disse que as unidades descentralizadas detêm apenas o status nominativo de Pronto-Socorro. Temos que parar de fingir que essas unidades operam adequadamente. A nossa proposta é repensar o modelo atual e estabelecer um sistema que realmente funcione, defende.
Na reunião de anteontem, Majô bem que tentou explicar a idéia, mas poucos se convenceram de que a proposta não tem por trás a pura intenção de acabar com o PS. Essa reformulação que estão dizendo nada mais fará do que transformar nosso Pronto-Socorro numa unidade ambulatorial, reduzindo o número de médicos e os horários de atendimento. Propositadamente ou não, a unidade está sendo sucateada. Quase sempre levam os médicos daqui para trabalhar, sem necessidade, no PS Central. A Secretaria (Municipal de Saúde) também vem minguando o PS do Ipiranga em termos de equipamento, como foi o caso do eletrocardiograma, que foi retirado daqui para aparelhar outra unidade, desabafou José Perea Martins, membro do conselho gestor do Ipiranga e um dos responsáveis pela convocação da reunião.
Na opinião de Martins, defendida de forma quase unânime pela comunidade daquela região, a Prefeitura deveria se empenhar para manter as unidades descentralizadas em funcionamento, buscando aprimorá-las tanto em termos de recursos humanos quanto de equipamentos. O gestor, por sinal, esbraveja quando ouve alguém dizer que o PS Ipiranga não funciona. Muitas famílias do bairro e adjacências podem servir de prova que o PS Ipiranga é importante, porque tiveram entes queridos salvos em razão da existência do serviço. Lógico que a unidade precisa de melhorias, mas se isso não acontece é por culpa do poder público. Ao invés de evidenciarmos tanto os problemas, por que não buscarmos soluções para superá-los? A vontade da comunidade é essa, considerou.
E a comunidade atendida pelo PS Ipiranga parece mesmo disposta a lutar contra eventuais mudanças. A participação na reunião convocada extraordinariamente e um dia após o feriado de Ano Novo realmente surpreendeu. A presença maciça dos moradores - e até de autoridades como o deputado Pedro Tobias - chamou a atenção da própria presidente do Conselho Municipal de Saúde, que, por sua vez, vinculou a grande participação a possíveis doses de exagero no tratamento do assunto. O pessoal está preocupado, mas porque está com medo do fechamento da unidade, o que nem foi cogitado. Eles estão muito desconfiados, razão pela qual precisamos deixar bem clara a verdadeira proposta. Mesmo assim, achei muito bom o interesse que a comunidade demonstrou. Vimos as pessoas saírem da apatia para discutir um problema que atinge a todos, disse Majô. Se eu soubesse que a unidade do meu bairro fosse fechar, arrepiaria mesmo, acrescentou Vera Porto, também do Conselho Municipal de Saúde.
O abaixo-assinado subscrito pela comunidade atendida pelo PS Ipiranga será entregue ao prefeito Nilson Costa, em audiência a ser solicitada pelo conselho gestor - eles querem apresentá-lo diretamente ao chefe do Executivo porque não estariam tendo respostas práticas da secretária Eliane Fetter Telles Nunes. O movimento da comunidade tem o apoio do padre Ednei Antônio Braga Rodrigues, da Paróquia de São João Batista, e das associações de moradores da Vila Ipiranga, Jardim Ouro Verde e Vila Independência.