Passada a eleição na Câmara Municipal, grupo de vereadores quer trabalhar pela união do PDT em Bauru
A eleição da presidência da Câmara Municipal poderia ter sido diferente caso o PDT tivesse iniciado a discussão sobre candidatura própria logo após o pleito de 1.º de outubro. A opinião é dos vereadores Faria Neto, Renato Purini, José Humberto Santana e Pastor Luiz, que estão sendo acusados de traidores por militantes de partido por terem apoiado Walter Costa (PPS) ao invés de João Parreira de Miranda.
De acordo com eles, a acusação de traição é injusta e não condiz com a história dos bastidores do PDT. O partido sempre soube dos nossos passos. Nunca deixamos de comunicar o andamento das articulações para o deputado Pedro Tobias ou o presidente Marcelo Borges. Sempre fomos transparentes. Por essa razão, não podem nos chamar de traidores, afirma Faria Neto.
O grupo de pedetistas lembra que o assunto sucessão da presidência do Legislativo nunca foi incluído na pauta das duas reuniões de diretório do partido convocadas após as eleições municipais. Para eles, a articulação para a candidatura própria deveria ter começado ali.
Enquanto o PDT não se articulava em torno de um candidato próprio, Walter Costa, relembram, já corria por trás. O primeiro contato do então vereador eleito do PPS com Faria Neto teria sido feito no final de novembro. Dentro do PDT, o primeiro passo no sentido de candidatura própria, afirma o grupo, teria sido dado por Luiz Carlos Valle, mas já em dezembro.
Por meio de sua secretaria, Valle agendou um almoço com os quatro colegas na presença do deputado estadual Pedro Tobias. O encontro, no entanto, não aconteceu. Fomos ao local marcado, no horário, mas Valle simplesmente não apareceu. Depois, se desculpou, mas a idéia que passou é de que não estava empenhado na própria candidatura, conta Pastor Luiz.
O grupo - com exceção de Santana, que tinha se comprometido a votar em Edmundo Albuquerque (PSDB) -, garante que teria votado em Valle caso o então candidato tivesse aparecido no almoço e apresentado documento contendo adesões de outros vereadores a sua candidatura.
Sem isso e depois das desculpas, Faria Neto, Santana, Purini e Pastor Luiz não teriam mais falado com Valle. Enquanto o candidato pedetista se afastava dos quatro colegas, mais o grupo era assediado por Walter Costa. Nesse ínterim, membros do grupo avaliaram que uma candidatura do PDT tinha se tornado inviável.
Já era meados de dezembro e o PDT não tinha se decidido. Além disso, dentro do partido, havia dois candidatos e nenhuma posição oficial do presidente. Foi quando contatamos Pedro Tobias e ele nos liberou para votar em quem quiséssemos e orientou para que, caso fôssemos compor com alguém, trabalhássemos por obter a primeira secretaria da Mesa Diretora, sustenta Faria Neto.
Com essa liberação de voto, Faria Neto, Santana, Pastor Luiz e Purini foram para a reunião do dia 18 de dezembro, cuja pauta não incluía a questão da sucessão da presidência. O assunto só foi abordado pelo diretório após colocação de João Parreira de Miranda, que teria se disposto a ser o candidato do partido mesmo que tivesse poucas chances de ganhar. Sobre isso, Faria Neto afirma ter se posicionado contrariamente.
Avaliando o tempo curto, o grupo dos quatro pedetistas aceitou o convite de Walter Costa para participar de um almoço e impuseram como condição para apoiá-lo a confirmação de mais seis votos, algo que foi feito no dia 28 de dezembro, durante churrasco na chácara de Roberto Purini.
Lá, Faria Neto, Santana, Renato Purini e Pastor Luiz selaram o apoio a Costa e receberam de volta a garantia de que o grupo presente no churrasco apoiaria o nome de Santana para a primeira secretaria, como acabou acontecendo. Por causa disso, o grupo, na reunião do PDT do dia 30 de dezembro, negou o apoio à candidatura de Parreira, mesmo com o argumento de que precisavam votar pelo partido. Como meu pai sempre diz, palavra empenhada, compromisso de homem, frisa Renato.
E, empenhados, votaram em Walter Costa, para ira de João Parreira de Miranda e Luiz Carlos Valle, além de muitos pedetistas que os acusaram de traidores. Nossa intenção nunca foi dividir o PDT, garante Purini.
A prova, segundo Santana, teria sido a articulação do grupo para fazer Valle ser indicado para a primeira secretaria no lugar do colega. Valle, no entanto, teria insistido na vice-presidência, e as negociações acabaram azedando. A atitude que tomamos demonstra que somos pessoas confiáveis. Não traímos ninguém, completa Renato Purini.
Passada a eleição, o grupo afirma estar interessado em trabalhar pela união do PDT, que anda desnorteado com os boatos sobre fusões partidárias e a possibilidade de saída de Pedro Tobias do quadro partidário. O PDT não está destruído e o tempo apaziguará as coisas. Queremos que os seis vereadores marchem juntos e o grupo, ao invés de quatro, seja de seis, conclui Santana.