09 de julho de 2026
Geral

Pesquisa mostra desemprego como justificativa para calote

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O desemprego foi o principal motivo alegado por moradores de Bauru para justificar a inandiplência no segundo semestre do ano 2000. O diagnóstico foi obtido através da pesquisa Ouvindo o Consumidor, que foi realizada em âmbito nacional pela empresa de recuperação de crédito Grupo Unidos.

Na triagem de dados, o desemprego foi a justificativa mais utilizada, com 27,5% do total. O segundo motivo mais apontado, em Bauru, foi atraso do salário, com 25% (ver gráfico em anexo). Segundo Júlio Shinohara, do Grupo Unidos, as pessoas participaram da entrevista no período de 9 a 11 de outubro do ano passado.

No Estado de São Paulo, o atraso salarial foi o campeão entre as justificativas apresentadas, representando 20,1% das respostas. O desemprego ficou em quarto lugar, com 14,9% das respostas. Para concluir a pesquisa, a empresa ouviu 27,03 mil pessoas em 23 capitais localizadas em todas as regiões do País, além do Distrito Federal e das cidades de Bauru, Campinas, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Santos, Feira de Santana, Londrina, Juiz de Fora e Uberlândia.

Para o economista Carlos Roberto Sette, as respostas obtidas em Bauru são totalmente coerentes com a realidade atual e refletem uma situação que não é característica da população brasileira. Normalmente, os brasileiros são bons pagadores. Porém, quando uma pessoa faz uma compra para a qual assume um pagamento longo, com diversas prestações, ela não imagina que, dentro de pouco tempo, pode estar desempregada. Numa situação assim, as pessoas ficam com o seu orçamento totalmente descontrolado e acabam fazendo coisas que não fariam normalmente, como atrasar o pagamento de contas, analisa.

Para a justificativa de atraso do pagamento, Sette lembra a situação dos trabalhadores da economia informal, por exemplo, que não possuem uma renda fixa. Devido a isso, essas pessoas podem acabar atrasando pagamentos de contas realmente por não ter condições de quitá-las no prazo correto.

Somente essas duas justificativas já somam 52,5% do total das respostas, o que prova que as constatações dessa pesquisa refletem a realidade da maior parte dos trabalhadores brasileiros. Porém, acredito que, durante esse ano, esse cenário irá melhorar. A inadimplência registrada no segundo semestre de 2000 já foi menor em relação ao mesmo período de 99, aponta Carlos Sette.

No resultado geral da pesquisa realizada pela Grupo Unidos, 22,7% dos entrevistados alegaram, em novembro, estar em atraso com suas prestações por causa de um terceiro para quem efetuaram a compra. Essa justificativa cresceu em relação ao início do ano passado. Em janeiro, ela foi apontada por 18,7% dos entrevistados. Em junho, 19,8% alegaram atraso por esse motivo.

Nas regiões Nordeste e Sul do País, a alegação de terceiros ficou acima da média nacional: 25,2% contra 23,8%, respectivamente. Nas demais regiões os percentuais ficaram próximos, sendo 22,4% na Centro-Oeste, 21,6% na Sudeste e 23,1% na região Norte.

De acordo com os resultados da pesquisa finalizada em novembro, cerca de 40% das compras realizadas para terceiros foram feitas devido à inexistência de comprovação de renda pelo consumidor interessado na aquisição do bem (mesmo índice apurado em janeiro e junho). 29% teriam ocorrido porque o terceiro tinha restrição no Serasa ou SPC (em janeiro, esse motivo foi apontado por 29,5% e, em junho, por 25%). 31% das compras teriam sido feitas por outros motivos ligados a terceiros (contra 30% em janeiro e 35% em junho).

De acordo com a pesquisa, o item atraso de salário nos motivos apontados para a inadimplência caiu de 18% em junho para 16,8% em novembro. Na região Sudeste do Brasil, ainda é um dos principais motivos, representando 20,5% das respostas. Por outro lado, fica em quinto lugar (6,8%) na região Sul. Nas demais regiões os percentuais foram 16,3% (Centro-Oeste), 12,9% (Nordeste) e 13,3% no Norte do País.

Em novembro, menos pessoas (11,8%) justificaram o atraso no pagamento de contas devido ao desemprego, nos resultados gerais da pesquisa. Em junho, esse percentual ficou em 12,2%. A menor participação desse item como motivo da inadimplência foi registrada na região Sudeste (10,1%), seguida pela Centro-Oeste (12,2%), Nordeste (14,2%), Norte (13,8%) e Sul (14,9%).