08 de julho de 2026
Geral

Os operários pararam de trabalhar na terça-feira

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

As reclamações sobre falta e atraso de pagamento feitas por operários que estão trabalhando nas obras de três creches municipais (no Jardim TV, Parque Santa Edwirges e Núcleo Bauru 2000) foram parar no Ministério do Trabalho, durante uma mesa-redonda realizada anteontem. No Jardim TV, as obras estão paralisadas desde a última terça-feira, num protesto dos trabalhadores à situação. Nas outras duas, o ritmo é lento.

A versão apresentada, no Ministério do Trabalho, pelo representante da construtora Catar - empresa com sede em Registro (SP) contratada pela Prefeitura de Bauru para a execução das obras -, Osmar Romano (gerente regional da empresa), é de que os débitos trabalhistas são decorrentes da falta de pagamento por parte da Prefeitura. Porém, tanto o gerente quanto o proprietário da Catar não foram localizados pela reportagem para comentar o assunto. O proprietário da empresa foi procurado por três dias seguidos, mas não retornou aos recados deixados na empresa.

Na Secretaria de Economia e Finanças da Prefeitura, a informação é de que todos os repasses, para as três obras, estão em dia. A afirmação é de um servidor que trabalha diretamente com o titular da Secretaria, mas que preferiu ter seu nome preservado. O titular da pasta, Raul Gomes Duarte Neto, encontrava-se em viagem. Na ata do Ministério do Trabalho, a qual o JC teve acesso, consta que a Prefeitura não enviou nenhum representante para a reunião de ontem. O mediador da mesa-redonda foi Sílvio Carlos de Lima Pereira, chefe da Seção de Relações do Trabalho do Ministério.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Empregados na Construção Civil, Cláudio da Silva Gomes, um grupo de trabalhadores contratados pela Catar procurou o sindicato para denunciar que o pagamento de dezembro não foi efetuado integralmente, além de ter sido feito com atraso, e que o décimo terceiro ainda não foi pago. Além disso, cerca de onze funcionários demitidos em novembro não teriam recebido, até o momento, os valores referentes à rescisão contratual, segundo Gomes.

De acordo com ele, enquanto a situação não for definida os trabalhadores irão fazer manifestações e não retomarão as obras no Jardim TV. Se a indefinição se arrastar por mais tempo, eles ameaçam paralisar as outras duas obras também, segundo Cláudio Gomes. Nós não estamos conseguindo entrar em contato com o Secretário de Economia e Finanças da Prefeitura e os operários estão revoltados com a situação. Durante a mesa-redonda, o representante da Catar disse que o repasse das verbas não está sendo feito corretamente pela Prefeitura e a empresa está se apoiando nisso, disse Gomes.

De acordo com ele, diante do não comparecimento de nenhum representante da Prefeitura à mesa-redonda de quarta-feira, o caso está sendo encaminhado para o Ministério Público do Trabalho, em Campinas. O objetivo é a definição de uma medida que resulte na regularização desse caso.

Na Secretaria de Economia e Finanças, a informação é de que o repasse das verbas para as três obras está em dia e que a responsabilidade por administrar o pagamento aos funcionários e fornecedores é da construtora.