08 de julho de 2026
Geral

Falta de matriz de ovinos eleva preço

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

A falta de matrizes de ovinos, causada pelo fechamento das fronteiras do Rio Grande do Sul (RS), em razão de focos de aftosa ocorridos naquele Estado, fez com que o preço de mercado disparasse, em São Paulo. Uma ovelha, que era comercializada por cerca de R$ 90,00 antes do problema, passou a custar entre R$ 120,00 e R$ 200,00, dependendo do animal, informa André Luís Di Santi, zootecnista da Associação Paulista dos Criadores de Ovinos (Aspaco), que tem sede em São Manuel.

O problema é que não entra nem sai animais do RS, que era o principal fornecedor de matrizes. De acordo com ele, isso fez com que os produtores paulistas começassem a enfrentar dificuldades para obtenção de matrizes, provocando o aumento do preço, em razão do crescimento da demanda.

A dificuldade se acentua porque os criadores que têm matrizes disponíveis não querem vendê-las, pois não teriam como repor. Além disso, há perspectiva de um maior aumento no preço, enquanto a fronteira com o RS não abre.

Di Santi destaca que a ovinocultura está se expandindo no Estado de São Paulo, impulsionada pelos incentivos que são oferecidos para quem está iniciando o criatório. De acordo com o zootecnista, em três anos de oferta do financiamento pelo Governo do Estado, o número de criadores dobrou.

Quem quiser começar a criação pode obter R$ 15 mil. O pagamento tem um ano de carência e dois anos para quitação, com taxa de 4% de juros ao ano. De acordo com o zootecnista, 80% dessa verba é para compra de matrizes e 20% para instalações - cerca, pastagens, etc. - ou 100% para compra de matrizes. Porém, é necessário um laudo feito pelo técnico da Casa da Agricultura do município.

Na região, outro incentivo está ocorrendo com a criação da Cooperativa de Ovinocultura do Estado de São Paulo (Cooperovinos), que está iniciando o funcionamento junto à Aspaco, em São Manuel. Através da cooperativa, os produtores vão poder abater os animais num frigorífico terceirizado, que vai entregar as carcaças já resfriadas para cooperativa, que vai fazer os cortes, embalar e comercializar. Isso está incentivando o aumento da produção. Acreditamos, também, no aumento do consumo, já que o produto estará mais acessível ao consumidor final, afirmou.

Di Santi diz que o mercado da carne ovina está em expansão, apesar de não haver um mercado forma, já que 90% do comércio é clandestino. Segundo ele, a carne disponível em açougues e supermercados, geralmente, é proveniente do Rio Grande do Sul ou importada do Uruguai. Temos um potencial enorme, tanto de área quanto de incentivo que, apesar de ser um volume pequeno de crédito, é uma ajuda e estamos importando carne, afirmou.

O zootecnista disse que a expectativa é de que a fronteira do RS seja aberta em breve. Segundo ele, já correu a informação de que seriam liberadas as compras de regiões que não apresentaram focos de febre aftosa. Porém, até agora, não houve qualquer forma, podendo acontecer rapidamente como demorar por um período mais prolongado.

Criatórios

Di Santi disse que existem bons criatórios na região de Bauru, com planteis variando entre 800 e 1.000 cabeças, o que é considerado grande para o estado de São Paulo.

Entre elas, a Cabanha Nevada, de César Ruiz, e a de Paulo Farha, ambas em Bauru; Fazenda Santa Fé, em Lençóis Paulista; a Agropecuária São Francisco de Tietê, em Santa Maria da Serra; Cabanha Árvore Grande, em Pratânea, entre outras.

As raças mais criadas na região são: Suffolk, Ille de France, Santa Inês e Hampshire.